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Zita Alves
(1951 Exu/Pernambuco)

 

 


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Sou filha da onça preta
Neta da maracajá-açu
Sobrinha da onça vermelha
E prima da canguçu.

A trigue é minha sobrinha
É a mais valente que tem
É a minha prima rainha
Não tem medo de ninguém.

A onça vermelha é mole
E não resolve questão
Por isso só pega bode
No meio deste sertão.

A trigue suçuarana
Também é minha parente
E a trigue africana
De todas é a mais valente.

O gato maracajá
Este é primo do meu pai
Sabe do salto mortá
Que não ensina jamais.

 

O CASTIGO DO PEDRO

Pedro Bacural ia pelo caminho.

Chegando em um pé de pau-dóia lá estava um passarinho, saltitando de um galho p’ra outro e dizendo: Jesus-Genézio, e olhava para o Pedro, e dizia: Jesus-Genézio... e Pedro que gostava muito de andar com uma baladeira, tirou uma bala de dentro do bornó e disse: Peraí, passarim, fio de uma égua, que tu já sabe quem é, Jesus-Genézio. E zum... uma pedra, de baladeira, no passarinho que só fazia olhar para o Pedro e dizer: Jesus-Genézio? Mas a pedra, em vez de bater no passarinho, voltou reversa, e bateu mesmo na testa do Pedro. E o Pedro saiu chorando com a dor. Isso só acontece com menino sapeca, que vê os passarinhos chamando por: Jesus-Genézio, e vai lhe fazer o mal.

Não cuspa p’ra cima, que lhe cai na cara.

 

O MEU JEITO E O TEU JEITO

Eu admiro o teu jeito
esse teu jeito popular,
teu jeito tem um defeito
que se chama bem está.

Com o jeito, desse teu jeito;
bem de jeito vou ficar,
e o defeito, do meu jeito;
com o tempo vai se acabar.

Mesmo sem jeito, do jeito,
de você dialogar,
acabo encontrando jeito
p’ra o teu jeito, acostumar.

De jeito, que é o meu jeito
do teu jeito vou ficar
sem ter jeito, com teu jeito
mas, meu jeito vai mudar.

 

 

Fonte:
Poética Ribeirinha – Antologia Literária de Petrolina
Elisabet Gonçalves Moreira
UPE - 1998

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