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Xico Sá

 

 


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MASTURBAÇÃO

Justiça pela própria mão

 

QUANDO NASCI...

anjo nenhum
visitou o quarto
nem
assistiu ao parto.

"Vai, Xico,
ser xico na vida."
(disse mamãe)

 

PRESSA INIMIGA DA PERFEIÇÃO

teu sentimento de posse
apressa mais ainda
minha ejaculação precoce

 

UM CÃO

Maduro
o cão cai no escuro
sob a lua de Lorca.

Evoca deuses
se mira nos cacos de espelhos
da noite
e se enforca
nas cordas de vento
em açoite.

 

DO CONDICIONAMENTO:
(Pavlov. Love, love, love)

Sou teu cão
E me babo
Quando balanças o rabo.

 

GIRO

Gira a cidade em torno do cio
do apetite poético de cada poema
e tu musa
e tu chuva
tu menina esperta
é pingo de colírio
de olho de poeta.

 

HAI-KAI DO AMOR SEM FIM
(à la Leila Micollis-RJ)

Amamos sem limite:
Ela quase pega filho
E eu peguei conjuntivite!

 

NOVA DIREÇÃO DOS VENTOS

Tudo está sendo mudado
E precisa do teu toque
Na arrumação geral.
Os poetas recitam aos camponeses
E operários
Enquanto estes doam seus braços
À reinvenção do mundo.
É bom que estejas atento
Aos novos ventos.

 

REPÚBLICAS ESTUDANTIS

o barulho da descarga
pira espanta a noite
louca a galope
morcego cego
mosca barata tonta
vampira vã kafkiana
que masturba os rapazes
das repúblicas estudantis
febris rapazes infantis
que ainda choram
o esperma derramado

 

PÁTRIA E SONHO

Quando me falam de país
Com todo aquele sentimento nacionalista
Com todo aquele ímpeto que só eles têm,
Eu fico descrente
Descontente
Querendo sonhar.
Não entendo de utopia
Mas sei que outro dia
Vai acontecer,
Não entendo de país
Mas ser feliz
É desejo popular.

 

PANFLETÁRIO

Lançar fogo
Ovo podre
No demagogo.

 

PROVOCAÇÃO DO RECIFE
(Para Manuel Bandeira)

Poetas e putas
Invadem os bares:
É sexta:
RECIFE PODE EXPLODIR A QUALQUER VERSO
QUALQUER GOZO!

Meninas sujas
Vendem flores e amendoins,
Teimosas demais
Pra tanto NÃO!

Putas e poetas
Na goela da noite
Como uma espinha de peixe
Que faz tossir
E avermelha os olhos!

RECIFE PODE EXPLODIR A QUALQUER VERSO
QUALQUER GOZO!

 

PROVOCAÇÃO DO RECIFE II / A MISSÃO BOÊMIA

por entre putas e poetas
que trocam versos às sextas
pedófilos inveterados
zombem zangões abelhas

meninas do amendoim
teimosas ninfetas
penélopes ariadnes
proletárias deusas

velhos decadentes
funcionários públicos
babam na gravata
deusas do subúrbio

ísis beatrizes
lirismo ambulante
consolo de bêbados
meninas de dante's

 

 

Fonte:
Poemas enviados por Joca de Oliveira

 

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