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William Ferrer
(1924 - 2006)

 

 


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HOSANAS

O anoitecer é lúgubre;
o manto negro esconde
estrelas,lua e pássaros.
Necessito da musicalidade;
ouço o piado da coruja,
o cri-cri dos grilos,
o coaxar dos sapos,
o açoite do vento na palmeira;
não ouço o som plangente
do clarinete,
a maviosa voz do ceresteiro.
Tenho que eparar o amanhecer,
e como tarda!...
Na colina há sinal
de tênue claridade.
O amanhecer é explosão de sons,
desabrochar de flores,
é vida na mata, no vilarejo,
no céu, na terra,
no coração do homem.
Hosanas ao nosso Criador.

 

TEMPESTADE

A volúpia do teu beijo incandescente
alucina,
remetendo meu ser ao abismo
de todos os desejos.
Teus braços são tenazes que apertam
meu corpo à exaustão dos sentidos.
Tua voz não tem a tonalidade do violino
e sim a vibração do vento em tempestade.
Teu riso é a súplica do abandono.
Teu olhar de águia é meu frenesi.

 

 

Fonte:
46 Poetas, Sempre
Organização: Almir Castro Barros
Edições Bagaço
Recife - 2002

 

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos