Legado
Aceito-te inconcluso
como meus dias
à tua espera
à tua espreita
à tua chama.
Assumo-me imperfeito
enquanto durmo
e te esqueço
e te lacero
e te devoro.
-
É a ânsia dos dias
que
nos separa.
?Onde teu sorriso
?Onde essa estrela
Aceito-te inconcluso
como imperfeito
me morro
te mato
me sorvo.
A letra bebe sangue
Muda o tempo
a dor não muda:
emudece a forma.
Minha letra
de sangue se alimenta.
Se não sangra,
dorme.
Como bebeu a pluma
sangue e lágrima
bebe a tecla
a cada toque.
Mínimo
A Lourival Holanda
sondo minha memória
em busca de tua etérea
presença.
sorvo de tua aura
alva e plena
a exuberância
de tua simplicidade:
queres ser menos
mas não te cabes
O espasmo
Já não estou em mim
mas me insistes
fera intensa
no céu
de tua boca
eu perdido
: limiar de culpa
em tua língua
segredos de uma aurora
de cães castanhos
tua língua
desenha
no hemisfério rígido/róseo de meu gozo
a linha exata
que me separa
da agonia
Lâmina
A Lucila Nogueira
arde em brasa
teu nome
e aguarda, fera,
onde a língua se encerra
do teu olho
(lâmina)
num suspiro
toda carne lacera
flamejante
tua letra, pletora,
pulsa
serpente
e nos rubros
os rios
de fêmea
concreta
teu voraz
aceno
a presa espera
pai
mãe
filha
de ti mesma:
despedaças o
anjo terrível
em chamas
que te espreita
A passagem
A passagem
aragem de dor
e sorriso
repele a pele seca
com enjôo de
mil tigres monossilábicos
pe(r)des a cabeça
quando a cabeça
-
supernova em fúria –
sorri
no escuro
e teu mundo se comprime
mudo
e não cabes em ti
não
te
caibo
c
a
b
o
O diálogo das coisas
Teu sorriso e uma gota
em algum momento
que já não é meu
Meu sorriso
e a noite descendo líquida
a noite lágrima
A noite empapada de som
e um véu escuro de sol
um sol ausente,
dissoluto,
só.
Teu sorriso e uma gota
em algum momento de sol
em uma lágrima que não é minha.
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