| RÉQUIEM
Ele está morto!
Ele está morto!
Disse o poeta.
Ferido à faca, o coração não mais bate.
Mataram o poeta de ontem.
Havia uma pedra no peito do poeta,
feita do puro pó dos sentimentos.
Sangraram seu corpo
e fizeram de suas vestes, cordas.
E de cordas, amarraram sua língua
e ele não falou: Nunca mais!
Basta!
Mas existe o punho do profeta,
existe a pena do poeta.
Mas ele está morto.
Mas ele está morto.
Disse o poeta.
Ele morrendo, eu morri.
SIMETRIA
A João Cabral de Melo Neto
Pedra e rio se confundem.
Lama. Pó. Sujeira. Pau.
Sonhos do norte se distendem.
Força. Solidão. Arrebol.
Faca e lâmina se afiam.
Som. Faísca. Fogo. Flor.
Símbolos de mentes se definem.
Sangue. Poeira. Vento. Cor.
Boca e voz a trabalhar.
Canto. Fato. Estribilho.
Choro e chuva faz calar.
Corpo. Esqueleto. Nosso filho.
Tudo é mistura nessa lida.
Vida. Morte. Sentencio.
Pobre morte. Pobre vida.
Toda dor tem um silêncio.
www.revistapoetizando.blogspot.com
revistapoetizando@yahoo.com.br
walmordario@ig.com.br |