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Waldir Pedrosa Amorim
(1948 Recife/Pernambuco)

 

 


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BREVIDADE

Breve há de ser este poema
dimensão do tempo que disponho.
Breves as horas que mereço,
longo
o tempero dos meus sonhos!

 

POEMA SEM NOME

Poema sem nome
em tarde de sábado
poema sem rima
em tarde de sono
poema sem eira
em tarde sem beira
poema sem lero
em tarde que quero
como Lorca:
“te quero verde!”

 

MEDITAR

Meditar,
decifrar tatuagens,
desvencilhar-se do excesso,
ser nudez,
ter pão,
água e universo.

 

MEDO

Da alegria química
e da tristeza anímica.

 

SOLIDÃO

A noite é só,
e eu queria comemorar
o feito
da pessoa fria
no bar mais repleto
de gentes vazias.

 

SINAIS

Não eram manchas,
nem tatuagens eram.
Eram mapas de dor
gravados n’alma.

 

NATUREZA VIVA

Sobre a mesa do poeta melancólico,
encontrei um escaninho de dor,
antidepressivos
e uma ânfora para lágrimas
entornada sobre a tela
da natureza morta.

 

 

Fonte:
Poemas enviados pelo autor

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