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Wagner Marques
(1984 Garanhuns/Pernambuco)

 

 


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PEDRALVA

1. Branco flor de pedra madura,
raio que doura a tez aurora,
cerca que roça o couro do
ranço brejo, a corsa e estoura.
Pedra, mas pedra miúda,
de chão duro, onde dure
a flor pancada meio branca.

2. De forma definida lambe o solo:
o broto que descasca a terra,
sacode a poeira e deita o verde
covalescente e mudo e seco.
Brancuras sem tons, sem caldos,
apenas matéria inerte à própria
pedra, à própria aparência.

3. Não o estado sólido e alvo, não
as "formas alvas". Apenas o dis-
forme a ser engolido, a ser
vomitado, apenas, como pedras.
Mas rente à flor branca pedra,
o que invade o silêncio e fica:
resto de pele a mudez de pedra.

4. O vazio sobra apenas ao estado bruto
da voz inquieta e dura e oca,
que soca a matéria imperfeita
(que não aspira lapidar algum).
São talvez vestígios do alvo que
incandesce a pedra própria e
esvoaçante que se resume a grãos.

 

FRATURA

Nossas vozes soam lentas,
Pois os homens fecharam suas portas à poesia
(que sendo
nossa
irmã:
trafega às duas da manhã
no folheto jogado na rua).
Há pessoas que não
sentem
o
osso estalar
enquanto o poeta engessa
o fêmur
para
o poema mancar.

 

DA CRIAÇÃO PELA MATÉRIA

As vestes da palavra rota
esfarrapam-se na forca
do verbo suicida:
Engasgando o verso solto
e suprimindo a diarréia lírica.

Mas caminhando no poema,
sobre o poema, nú, pé ante pé,
o pensar lubrifica a matéria
que desfaz a urina que escorre
quente pelos vocábulos.

E resistindo contra o que não é suor:
deliram como punhais
(que descem ao couro)
as cólicas mentais do criar:
a pedra que estoura em mãos.

 

omascavowm@hotmail.com

 

 

Fonte:
Poemas enviados pelo autor

 

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