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Vitória Lima
(1946 Recife/Pernambuco)

 

 


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UMA VISÃO

Eu (rídice)
adormecia
nos braços de Orfeu

Partilhando com ele
dos segredos íntimos
da noite

Por instantes
vislumbra
sua seta de prata

Varando
o veludo azul
da noite estrelada

enquanto

com ele brinca
um trêfego
raio de luar.

 

SAIAS

Saias
arrebanham
ventos e tempestades,
murmúrios, marulhos,
nunca d'antes escutados

Saias
trazem
o colorido revolto
dos mares incessantes
insensíveis
insensatos.

Areias, algas, sargaços,
argila, falésias
em constante dissolução.

Minhas saias
arrastam
atrás de si
amores, saudades e
tangem
para casa
memórias
com gosto
de sal,
de chuva,
com gosto de
nunca mais...

 

 

Fonte:
Estação Recife
Coletânea Poética III
Recife - 2004
Prefeitura do Recife - Secretaria de Cultura - Fundação de Cultura da Cidade do Recife
Organizadores: Everardo Norões, José Carlos Targino e Pedro Américo de Farias

 

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos