UMA
VISÃO
Eu (rídice)
adormecia
nos braços de Orfeu
Partilhando com ele
dos segredos íntimos
da noite
Por instantes
vislumbra
sua seta de prata
Varando
o veludo azul
da noite estrelada
enquanto
com ele brinca
um trêfego
raio de luar.
SAIAS
Saias
arrebanham
ventos e tempestades,
murmúrios, marulhos,
nunca d'antes escutados
Saias
trazem
o colorido revolto
dos mares incessantes
insensíveis
insensatos.
Areias, algas, sargaços,
argila, falésias
em constante dissolução.
Minhas saias
arrastam
atrás de si
amores, saudades e
tangem
para casa
memórias
com gosto
de sal,
de chuva,
com gosto de
nunca mais... |