Meu caro e bom leitor
Me preste bem atenção
Que a história que eu vou contar
É cheia de emoção
Dita por historiadores
Do meu “Sublime Torrão”.
Eu só peço a meu Bom Deus
Que me dê muito artifício
Pra que eu possa contar
Esse fato natalício
Como foi que a Paraíba
Surgiu bem lá no início.
32 anos depois
De Cabral aqui chegar
Vieram as Capitanias
Como forma de avançar
Rumo ao norte do Brasil
E a resistência enfrentar.
Foi difícil iniciar
A tal colonização
Os portugueses penaram
Durante a ocupação
Toparam com índios bravos
De arco e flecha na mão.
Além dessa resistência
Que o índio oferecia
Ainda tinha os franceses
Com a sua pirataria
A roubar o pau-brasil
Que por aqui existia.
A principal capitania
Localizada ao norte
Chamada de Pernambuco
Era também a mais forte
Com os seus canaviais
Tinha progresso e sorte.
Em outra capitania
Chamada Itamaracá
Cujas terras eram boas
Para a cana se plantar
Portugueses resolveram
Um engenho implantar.
Foi lá que Diogo Dias
Um ricaço, mercador
Ganhou terras da Coroa
E o engenho implantou
Pra produzir o ouro branco
Cana-de-açúcar plantou.
Pra construir o engenho
A mão-de-obra era rara
Muitos não queriam ir
Com medo dos potiguaras
Essa tribo mui temida
Se escravizar não deixara.
Essa tribo atacara
Os colonos muitas vezes
Pra libertar outros índios
Cativos dos portugueses
Pra completar, se tornaram
Aliados dos franceses.
O engenho implantado
Em terras boas pra cana
Perto de onde hoje está
A cidade de Goiana
Até hoje a região
Planta a cana caiana.
Mas os índios potiguaras
Já tinham nova morada
No sertão da Copaoba
Localidade afastada
Hoje, Serra da Raiz
A cidade é chamada.
Ali viviam tranqüilos
Há muito não atacavam
Bem longe dos portugueses
Os potiguaras estavam
Como sempre eles viviam
Do que caçavam e plantavam.
Mas, um dia, um mameluco
Que na mata embrenhou-se
Chegando na Copaoba
Naquela aldeia hospedou-se
Conheceu uma bela índia
E por ela encantou-se.
Sentiu-se como uma vítima
Da flechada do cupido
Pela força da paixão
Foi o homem atraído
E resolveu que seria
Daquela índia o marido.
Aquela bela cunhã
De uma beleza tão rara
Cativou o tal mestiço
Que se apaixonou de cara
Era justamente a filha
Do chefe dos potiguaras.
O mestiço foi ao chefe
E a mão da índa pediu
Como demonstrara ser
Homem forte e viril
O chefe e pai da índia
Logo-logo permitiu.
O mameluco tinha planos
Não revelados ainda
De pegar sua mulher
E fugir para Olinda
Ali queria morar
Com aquela índia tão linda.
E foi assim que seu plano
Terminou de arquitetar
Quando o chefe e os guerreiros
Saíram para caçar
O mameluco e a cunhã
Foram em Olinda morar.
E quando o chefe da tribo
Retornou da sua caçada
Lhe informaram que a cunhã
Havia sido raptada
Chamou dois filhos guerreiros
E lhes deu uma empreitada.
Já que estava selada
A paz com os pernambucanos
O chefe acreditava
Que a filha de 15 anos
Lhe seria devolvida
Por eles e os lusitanos.
Os índios obedientes
Para Olinda caminharam
Logo que chegaram lá
Na Justiça confiaram
E, com a maior autoridade
Que ali estava, falaram.
Então, Antônio Salema
Famoso corregedor
Que estava em Pernambuco
Logo se prontificou
A ajudar aqueles índos
E com certeza ajudou.
Com a sua autoridade
Ele mandou notificar
O pai do tal mameluco
Para a cunhã entregar
Mostrou-se muito empenhado
Em tudo solucionar.
E resolvido o caso
Assim como não bastasse
Tomou todas providências
Pra que a índia voltasse
Para a aldeia de onde veio
E ninguém a molestasse.
Com aquela providência
Os três índios retornaram
Chegando a Tracunhaém
Ali os três repousaram
A provisão que traziam
A Diogo Dias mostraram.
Mas, o dono do engenho
Pela índia se encantou
E naquela mesma noite
Dos seus irmãos a ocultou
E assim Diogo Dias
O seu rapto praticou.
Os dois índios potiguaras
Vendo que não tinha jeito
De recuperar a irmã
Deram o rapto por aceito
Prosseguiram para a aldeia
E ao pai contaram o feito.
O chefe Iniguassu
Não deixou de enviar
Duas vezes, emissários
Pra filha recuperar
Mas, nem o capitão-mor
Não quis os ouvir falar.
Tudo teria passado
Sem maiores conseqüências
Se ali na Copaoba
Por destino ou coincidência
Não estivessem os franceses
Com a sua malevolência.
Sabendo do ocorrido
Foram logo atiçando
Pros índios irem à forra
Seguiram estimulando
Foi assim que procederam
No fogo, lenha jogando.
O potiguar que se viu
Perseguido muitas vezes
E posto no cativeiro
Pelas mãos dos portugueses
Dessa vez virou uma fera
Aguçado por franceses.
Milhares de índios bravos
A Copaoba deixaram
E lá pela madrugada
Em Tracunhaém chegaram
Ao amanhecer do dia
Somente alguns atacaram.
Deu-se o alarme que a fazenda
Estava sendo atacada
E os portugueses a postos
Saíram de mão armada
Pensando que os poucos índios
Batiam em retirada.
No entanto, aqueles índios
Tinham um intento certo
Atrair os inimigos
Pra lugar em céu aberto
Pois o engenho era um forte
Bem seguro e bem coberto.
Diogo Dias saiu
De casa pronto a atacar
Pensando que aqueles índios
Ia conseguir matar
Mas, quando chegou no mato
Não teve como voltar.
Os índios caíram em cima
Com uma gritaria incrível
E voltar para o engenho
Tornou-se algo impossível
Na manhã daquele dia
Deu-se uma matança horrível.
Não teve branco nem negro
Que os índios não matassem
Nem mulher e nem menino
Que eles não esquartejassem
Não deixaram o engenho
Sem que tudo antes queimassem.
Foram seiscentas vítimas
Daquela carnificina
Ao deixarem o engenho
Estava tudo em ruína
Nesse dia teve início
Uma guerra repentina.
Os índios quando tiveram
Vitória espetacular
Passaram a ser soberbos
E mais, e mais atacar
Infernizando os colonos
Em toda Itamaracá.
A notícia do massacre
Logo no reino ecoou
E o Rei Dom Sebastião
Sabendo, determinou
E a nova capitania
Da Paraíba fundou.
E o senhor Luiz de Brito
Saiu em expedição
Para governar por ordem
Do Rei Dom Sebastião
Desde o Rio Popoca
À Baia da Traição.
Foi assim que aqui surgiu
A nova capitania
Mas, na conquista da terra
Que depois se seguiria
Houve guerra. Mas a história.
Eu contarei outro dia.
A história é assim
Sempre seguindo as tendências
Só não tem ponto final
Acaba com reticências
Mas, pra ter veracidade
É preciso referências.
Pra conhecer mais a fundo
Essa história, por favor
Leia “História da Paraíba”
Um livro cujo autor
Se chama Horácio de Almeida
Um grande historiador.
Tem também a outra fonte
Que conta o fato inteirinho
A “História da Paraíba”
Toda escrita em quadrinhos
De Emilson e Emir Ribeiro
Pai e filho andam juntinhos.
O meu agradecimento
Vai pra um historiador
O grande José Otávio
Homem de muito valor
O Brasil inteiro sabe
Quem é esse professor.
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