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Vernaide Wanderley
(1948 Patos/Paraíba)

 

 


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PERFIS DA CIDADE - AQUÁRIO

Em algumas horas de torrente,
os vitrais perdem seu viço,
a mendiga tropeça na noite
e ampara-se sob a penúltima marquise,
cobrindo as avenidas com efeitos cênicos,
veludo preto e um hálito de mangue
que o rio deixa,
serpenteando-se para o ar,
transformando a cidade em anteboca de Inferno.

É ali onde o aguaceiro a espreita e cobiça,
mistura de noite, de hálito e concreto,
anônima melancolia de tragédia urbana,
sem palavras,
poema-imagem de inusitada chuva e sombras
escrito pelos faróis e timbre de sino,
mulher-poema, silhueta de templo ou pedra.

 

 

Fonte:
Corpo Lunar
Antologia Poética - 2002
Organizadora: Edileusa da Rocha

 

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos