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Vera Lúcia Pereira
(1964 Juazeiro do Norte/Ceará)

 

 


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Preciso de vez em quando
tentar ver num
espelho
o outro lado
de mim
aquele que a água não
molha,
o sol não aquece,
as palavras (velhas companheiras)
não ousam obedecer.
o (re) verso
do aparente bom tempo
lá de fora ;
dessa alegria exagerada de verão.
Ser
um ponto escuro,
uma ponte ao nada
em busca de quê?
Gozos fugidios?
               Paraíso terrestre?
Amores ensandecidos?
A verdade
está dentro
ou
fora
desse corpo (uma quase sombra)
nua . . .
De qualquer lado
do espelho
lágrimas escorregam
e a verdade
fica sendo
apenas uma imagem embaçada
estrangeira de mim
desse corpo (uma quase sombra).

 

 

Não quero ser um ¾
um retrato
que por si só
não sou eu.
Quem sou eu?
As imagens entrecortadas

  e
    cá
rebuscadas
frias
sem som nem rimas
sem ré mi fá só lá si dó
                               de mim.
Um olhar taciturno
que talvez busque
perfume e cor
em meio às flores do mal
se pelo menos Baudelaire
me emprestasse o prazer do espanto,
a indiferença, o escândalo
eu não seria
apenas um retrato.
Ao fundo
de uma mancha negra
                         ou
um vulto pálido
um olhar escorrega
e um retrato é apenas
o que sou.

 

DE VIÉS

Não sou o que gostaria de ser
tão pouco estou na vida como precisaria
                                             estar.
o alheamento me conduz
numa rota
         rota.
Onde não importa o que se passa
com as pessoas . . .
sejam elas Yankees,
                Russas
                    ou
            Cucarachas.
Penoso para os que não se enquadram
nessa trinca.
Sou
     do
         mundo.
Mas ele traiçoeiramente me nega
o direito de amar mais de uma vez,
                         mais de uma tez . . .
Enquanto isso, da árvore da esquina mais próxima,
brotam flores com seus perfumes indiferentes e
reais.

 

 

Fonte:
Poética Ribeirinha – Antologia Literária de Petrolina
Elisabet Gonçalves Moreira
UPE - 1998

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