| JUSTIÇA TOTAL
Coca para os ricos
Cola para os pobres
Coca-cola é isso aí!
FEIRA DE PEIXES
Olha o peixe !
Tratado, limpo, sadio
Eis o peixe !
Do mar, das marés e rios
Ê menina !
Cavalinha, sardinha, corvina
Ôi minha senhora!
Anchova, cavala, albacora
Quem compra não é tabaréu
Cioba, tainha, cação, xaréu
É uma pechincha de nada!
Agulha pampo, robalo, espada
Para a alegria do comprador;
Promoção de peixe voador!
DAS SOMBRAS E SOLARES
Amanhecer no êxtase de um bode
Depois de um pós-monumental porre
E uma irritante voz
A desejar bom dia
Ignorando a tremenda mancada
Traduzida em mal-estar e epilepsia
Notícias de TV, cenas estúpidas
De baixarias e mediocridades
E no planalto,
Vários planos a nos arrebentar
Tráfico de drogas, de influências e
cumplicidade
Estado-positivo, governo-negativo
De um postal apresentando as capitanias
hereditárias
Que ainda cultivam
Essa wave-norte-américa-otária!
E cai a tarde, réus, vítimas em juízos
A deformar toda dignidade
E você sonha com a felicidade
Dizia o triste que a tristeza é bela
E o solitário: solidão é fera
Entre mendigos, shoppings e absurdos
Produz-se tudo com arbitrariedade
Consolidando o corporativismo
E as conseqüências são coincidências
A despistar
E as evidências ecoam na noite
Um escândalo, um homicídio
A distrair os corações urbanos
E a destruir a ilusão dos vândalos.
Depois cigarro, good night, um tapa
Noturna láctea birinaite atômico
Nas avenidas cruéis, embates anacrônicos
Epidemia rima com cólera, malária
E consumismo sub-reptício
Legitimando o desejo canalha
Que ainda cultiva
Essa wave-norte-américa-otária.
DE PEIXES IN AQUÁRIO
Transição de Milenium,
Onde as diferenças são
Iguais
E todas as distâncias
Vizinhas.
A solução não é só líquida;
Fique peixe,
Que a era é de AQUÁRIO!
DAS FADAS
As fadas,
Com suas varinhas de condão
E seus pós brancos
Transmutam e exorcizam
Todo o mal e sua
Horda.
As fadas que habitam
Nos contos
São iguais a vocês:
As fadas são foda! |