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Telma Brilhante
(1941 Crato/Ceará)

 

 


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NOITE SEM LUAR

No dengo das ondas
Cochilava o mar.
Barcos flutuavam
Solitários.

Refluíram as águas
Deixando na pálida areia
Fios verdenegrecidos

A amplidão sugeriu vazios
Que se prolongaram nas trevas

 

AUTOMATISMO

A textura do véu das águas
é como luz que trespassa o vidro
descobrindo tênue fio de emoção
que se esconde na face
impassível

O homem caminha sob ruídos
de vidas anônimas

Manhãs prenhes de luz
e de vida.
Tardes na alma.

Voejam borboletas.

 

NOS QUINTAIS

Há nos quintais
margaridas, flores de maria
gemidos de rosas dálias
em triste e lenta agonia

Há nos quintais
flores enclausuradas
que afagam a relva
à sombra dos manguezais

Há nos quintais
àrvores que escondem
paisagens, copas sazonais
em eterna harmonia

Há nos quintais
vultos de almas andejas
que se deitam suaves
sobre o ventre dos frutos.

 

CREDO

Creio em Deus-Pai
Tanto quanto acreditei
No renascer da vida
E no horizonte
dos meus sonhos

Creio em ti, que me fizeste
Caminhar sobre pedras e pétalas
Que se desprenderam
Das rosas místicas
Do altar das oferendas

Creio em mim
Que da fraqueza
Brotou a força.

Das minhas dores
Colhi a esperança.

 

 

Fonte:
Poemas enviados pela autora

 

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