| NOITE SEM LUAR
No dengo das ondas
Cochilava o mar.
Barcos flutuavam
Solitários.
Refluíram as águas
Deixando na pálida areia
Fios verdenegrecidos
A amplidão sugeriu vazios
Que se prolongaram nas trevas
AUTOMATISMO
A textura do véu das águas
é como luz que trespassa o vidro
descobrindo tênue fio de emoção
que se esconde na face
impassível
O homem caminha sob ruídos
de vidas anônimas
Manhãs prenhes de luz
e de vida.
Tardes na alma.
Voejam borboletas.
NOS QUINTAIS
Há nos quintais
margaridas, flores de maria
gemidos de rosas dálias
em triste e lenta agonia
Há nos quintais
flores enclausuradas
que afagam a relva
à sombra dos manguezais
Há nos quintais
àrvores que escondem
paisagens, copas sazonais
em eterna harmonia
Há nos quintais
vultos de almas andejas
que se deitam suaves
sobre o ventre dos frutos.
CREDO
Creio em Deus-Pai
Tanto quanto acreditei
No renascer da vida
E no horizonte
dos meus sonhos
Creio em ti, que me fizeste
Caminhar sobre pedras e pétalas
Que se desprenderam
Das rosas místicas
Do altar das oferendas
Creio em mim
Que da fraqueza
Brotou a força.
Das minhas dores
Colhi a esperança. |