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Suely Felipe
(Santana do Matos/Rio Grande do Norte)

 

 


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CREPÚSCULO DE MAIO

Fim de tarde sem graça
Sem vida sem despedida
Num crepúsculo de maio
A noite jaz lenta e fria
Enquanto a lua cheia
Escondida entre as trevas
Do céu anil da sua boca
Fez calar o seu verbo
Banhando-me com um rio
Que coloria os seus olhos
E agora desliza frio
Amortecendo a minha alma
Pobre desafortunada
Quem irá chorar minha dor?
E consolar os meus dias?
O que fazer das madrugadas?
Se as ruas estão vazias
Quem beberá desse vinho?
Derramado nas estrelas
Quem colherá o fruto maduro?
Aprisionado em seu quintal
Ensina-me o seu novo regalo
Marque uma hora na esquina
Deixe-me festejar o seu dia
E brindar a sua nova poesia.
O que fazer da saudade?
E deste poema à deriva?

 

UMA MULHER AO SOL

Uma mulher desnuda
Exposta ao sol
Fértil feito terra agreste
Uma mulher frondosa
Feito árvore bisavó
Vestida de plumagem rara
Verdejante prenúncio
De noite sem luar
Intocada no meio da mata
Vivenciando as agruras
Destinadas à aridez
De um solo incendiado
Suavizada apenas
Pelo olhar do poeta
Observador astuto
De belezas raras
Soprada em versos
Filigranas de uma
Réstia selvagem
Caatinga enegrecida
Trocando de vestes
Colorindo-se de esperança
Ao gotejo do primeiro
Ensaio de ano bom
Ricas pastagem
Lavoura e ave
De arribação
Coroam o seu reinado
E o som de
Um único canário
Anuncia um reisado divino
E à sombra da mata
Do pé da Cajarana
A mulher desnuda
Banha-se de prazer
Exalando aroma
De terra molhada!

 

 

Fonte:
Poemas enviados pela autora

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