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CADERNO DE ESTAÇÕES
O papel onde eu escrevo,
rabisco minhas loucuras,
é parte do meu acervo,
pedaço da minha fortuna.
E minha grande fortuna,
que por ser tão imensa,
não cabe só num papel,
nem mesmo numa sentença.
O meu grande Amor,
este que trago interno,
descrevo com lealdade
no outono do meu caderno.
São folhas e folhas escritas,
marcando cada estação,
todas sujas de tintas
pelos invernos da emoção.
Nas primaveras douradas,
momentos de felicidade,
escrevo nas minhas laudas
verões de eternidade.
ETÉREO
Tremo sob teu corpo suado,
machucado de carinho e desejo,
quando mergulhada num beijo
minha boca perde-se na tua.
Assim, languidamente nua,
visto-me só de arrepios,
com o gozo já por um fio,
fundindo dois corações.
Alheios a outras paixões,
vivendo para este querer,
nós nos fazemos saber
o quanto nos amamos.
E quando nos entregamos
de mente, corpo e alma,
surge depois uma calma:
vulcão adormecido em lava.
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