Realidades Nossa
Dá um aperto no coração
Quando o barreiro seca
Que aí a coisa aperta
E haja lamentação.
Moleza não tem não
O que vale são as pernas
Daquele que carrega
A lama e o torrão.
Tendo a confirmação
Do que já é certo:
Três meses de inverno
E o resto é verão.
Uma fila de carroça
A beira de uma cacimba
Ao filho o pai ensina
A fazer uma manobra.
Homens contam prosas
Para ver se a vida anima.
Gado deitado na roça
Esperando a ração
Isso é coisa do sertão
É realidade nossa.
O sol ardente no chão
A mulher com uma lata
Menino solto na mata
O velho e seu galão.
É grande a emoção
De ver as passaradas.
Em dias de nuvuadas
Bate forte o coração
Deixando o povo contente
Isso minha gente
Ocorre no meu sertão.
Ocorre tudo isso
Na época da seca
Que fica nessa peleja
E nesse sacrifício.
Passando despercebido
As coisas da Natureza
Que seca, não tem beleza
Tudo é sucumbido.
O povo dá um sorriso
Quando vem a chuva
Então a paisagem muda
E parece o Paraíso. |