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Hino às
avessas
Bradam forte os heróicos da nação
Para ver da justiça a clava erguida,
Ao lutar, desbravar bosques da vida,
Ver nascer liberdade neste chão.
Mas as flores que brotam são em vão,
Desfolhadas de forma infame e vil.
E o penhor da igualdade no Brasil
É esquecido por esta Pátria Amada,
Sem razões pra gritar “Terra Adorada”,
Pois não é dos seus filhos Mãe Gentil.
E as estrelas do lábaro ostentado,
Ofuscadas no breu do sofrimento,
Vão perdendo no azul do firmamento
O poder de luzir manto sagrado.
Só restou o colorido desbotado
Do que foi o pendão da esperança.
Hoje é pavilhão de insegurança
De um país sem orgulho da bandeira,
Com o progresso e a ordem brasileira
Sucumbindo e ficando na lembrança.
Nosso hino nasceu desafinado
Entoando uma falsa liberdade,
Que na pauta da vil desigualdade,
Chora as notas de um povo aprisionado.
Se o arranjo não foi bem orquestrado
Resta, em versos, lutar pela utopia,
Libertar dos grilhões a poesia
E trazer esperança à brava gente,
Pra poder transcender eternamente
Novos sons imortais da sinfonia. |