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Silvana Menezes
(1967 Umbuzeiro/Paraíba)

 

 


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O poeta enxerga tanto
ao ponto de depositar
nas palavras
as balas
que de outra maneira
jogariam seus miolos
a dez metros de distância

 

 

Vamos acertar as contas dona poesia
porque é nesta noite que lhe boto pra fora!!!
a senhora por acaso pediu licença
para entrar no meu peito?
Acaso me deu tempo de amadurecer as idéias?
Com que roupa agora abre a boca para falar de mim?
Com que direito?
Me despe!?

 

 

Escrever não é miragem
é ofício e é vertigem.
E o instante presente
é a única coisa concreta
que existe em minha vida.

 

 

Se a vontade de escrever se apresenta
e a amada dorme ao teu lado
levante e caminhe em silêncio
para não perturbar-lhe os sonhos
procure um pouco da luz
que pela fresta dos cabelos
se insinua
e nessa contra luz
escreva versos de amor para ela
que dorme serenamente
e quando nascer o dia
pegue um pouco de sol
misture a música do mar
e volte para cama com
seu verso
fresquinho no peito.

 

 

Hoje eu vou sair
vou conseguir tudo o que eu quiser
vou sorrir para um mundo melhor
vou molhar o seu olhar de alegria
hoje é o meu dia!
eu vou interpretar a minha personagem
e ser a atriz de mim mesma
hoje é a minha mais difícil estréia
vou falar de mim
vou me dizer
não publiquei
eu vou sim
dizer meus versos nas praças
vendê-los nas pontes
hoje
eu vou ser o meu poema.

 

 

Fonte:
Marginal Recife
Coletânea Poética III
Recife 2004
Prefeitura do Recife - Secretaria de Cultura Cidade do Recife
Organizadores: Cida Pedrosa, Miró e Valmir Jordão

 

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos