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Sebastião Vila Nova
(1944 Rio Largo/Alagoas)

 

 


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CLARAVIDA

A Carmita

Uma vida clara
entre coisas caras.

A tua música nas panelas na cozinha,
o menino na rua,
o livro na mesa,
o soneto relembrado,
o chapéu no cabide,
o gosto da cerveja saindo da boca,
a comida na mesa,
longe o ladrar de um cão na noite adentro,
teus olhos mansos a nos guardar,
o perdão como pão fresquinho,
a chuva acalentando noite adentro.

Uma vida clara
entre coisas caras.

 

CLAVE OCULTA

Entre sangue de guitarras
e copas no meio dia,
sete torres desabaram,
sete demônios sorriam.

Os cílios roçavam nuvens
de adiadas profecias
e as tardes nos corredores
guardavam nomes tardios.

Sete torres desabaram,
sete demônios sorriam.

Abriu-se a porta do mundo
à imperfeita geometria
do exercício dos disfarces,
da ponderação dos dias.

À tarde, nos corredores,
chegaram nomes vazios.
Sete torres desabaram,
sete demônios sorriam.

Entre o sangue incendiado das guitarras
e intervalos de sol das agonias.

 

SINA

Desejei ver-te, mas não pude ler
as várzeas do teu corpo, nomes, notas
da música sem pauta, as tuas ondas,
ondinas, salamandras, gnomos, silfos,
escuras sendas, verde-que-te-quero-
vermelho e sol ao sul da alva planície,
tempestades noturnas, astrolábios,
úmidos lábios, vórtices da vida
em idas, vindas, voltas e revoltas
de mares oceanos impossíveis
às nossas naus, as nossas naus humanas,
que é travessia a flor do nosso fogo,
carícias entre feras, nostalgias
da Ilha relembrada, luz de Deus.

 

 

Fonte:
Estação Recife
Coletânea Poética 2
2004
Prefeitura do Recife - Secretaria de Cultura - Fundação de Cultura da Cidade do Recife
ORGANIZADORES: Everardo Norões - José Carlos Targino - Pedro Américo de Farias

 

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