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S. R. Tuppan
(Pernambuco)

 

 


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epígrafe

o centro da cidade fede
hálito podre da capital
monstros meninos alimentam-se
do cheiro das comidas
neste carnaval

 

Longe do mar

Nem sei o que me faz sentir
esta coisa sem explicação
que por minha vontade descumprir
nem me vence nem me dá razão

Quisera ter a resposta
mais ainda a solução
escolher de quem se gosta
mandar no meu coração

Mas eis que me restam sonhos
e a vontade de vive-los
estes teus olhos risonhos
tua boca tuas mãos e teus cabelos

 

Musa

Como pintar-te já não mais posso
Te oferto, linda, um poema apenas
Onde só vai o aroma dos jasmins
O canto dos canários, as flores afins

A leve brisa nos cabelos
O decote sobre os pêlos
Íntimos de teu vulcão

Os primeiro passos descendo a escada
O riso doce de menina amada
Com todas as lembranças
De quando fazes parar o mundo todo
Com teus requebros de ninfeta mansa

Ou quando fazes tudo virar
Ao menor gesto de feroz tigresa
E, assim, o fogo, o ar, os outros elementos
E tudo de vivo ou inativo
Te homenageia, ao te ver passar.

 

 

Fonte:
Revista POÉTICA XXI
Editor: S. R. Tuppan

 

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos