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Rosangela Maria Ferraz Dutra
(Floresta/Pernambuco)

 

 


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GUARDIÃ

Guardo segredos entre véus e argolas.
Pulseiras de asco, anéis de tortura.
Guardo liberdade enclausurada em falsa alegria
Encontro contido, acontecido jamais

Guardo a poeira da terra molhada
E o vôo dos cavalos caídos

Em dança soluçante
liberto vontade de rever mãos dadas.

 

ONÇA CORAÇÃO

Fala meu corpo línguas ligeiras
Transparece na gata doméstica
a onça desgarrada,
fugida da selva.
Onça pintada, unhas feitas.
Perfeitamente entregue a devaneios.

Loucura límpida e desejada.
Louça e fogão.

 

DEPURAÇÃO

Nossas dores se desdobram
em gemidos
Soluços, desencantos e esperanças.
Acordes que, no fim,
resta somente canção.

 

TRATAMENTO

Do sangramento o melhor foi o sangue escorrido
Pingado em pequenas doses.

Tempo de sangria.
Tempo de coagulação.

Da ferida, a crosta.
Quase bicho de estimação

 

DESEJO

Coloco na mão
o medo do espaço-tempo
que não posso contar,
nem conter,
nem ter,
nem estar.
Apenas e infinitamente ser.

 

MINGUANTE

As meias palavras
me fizeram entender o período inteiro.
Mergulhada na lua
vivenciei as fases.

 

 

Fonte:
Poemas enviados pela autora

 

 

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