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Robson Sampaio
(1947 Jaraguá, Maceió/Alagoas)

 

 


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Agosto

A ventania varre o Recife todo.
É agosto. Mas, não varre a miséria,
a sujeira e a indignidade.
Porém, prenuncia o calor do verão.
É o mês do desgosto?

Nas ruas, becos e pontes, esvoaça saias,
despe o recato e reimagina vontades,
enquanto as mulheres sonham com
a vadiação...
Alegria?

Aos homens, suscita o bem-querer
e estimula a bebedeira do dia-a-dia.
Agosto, desgostos, vontades e vadiação...
Apocalipse das tentações?

 

Entardecer

O mistério do entardecer no verão recifense
ilumina o Capibaribe e reflete a alma:
Pernambuco.

O mistério do entardecer no verão recifense
anuncia o som dos clarins de Momo:
Passo e frevo.

O mistério do entardecer no verão recifense
sugere águas mornas e areias quentes:
Azul do mar.

O mistério do entardecer no verão recifense
reacende o calor das mulheres que brincam de sedução:
Vontades ardentes.

 

Feliz, ele...

O poeta teve o bairro, o mar
e o bar.
Feliz, ele...
Desprezou o outrora para que a
rosa não lhe perturbasse os
sonhos.
O mar teve como o amor maior,
onde derramou lágrimas
para que não se perdessem no
tempo.
Como mágico das palavras (ou seria poesia,
coisa só sua, íntima e necessária?), diz que
a vida enganou a vida, o homem enganou o
homem.
E que multiplicou a sua dor e, também,
a esperança.
Feliz, enganou a todos nós, pois teve o
bairro, o mar e o bar.
Feliz, ele... E eu!

*A Paulo Mendes Campos

 

Os mortos riem...

No Dia dos Mortos,
os mortos riem do choro
e das rezas dos vivos,
lamúrias perturbadoras
da paz e do silêncio
do Campo Santo.

Os mortos riem tal qual
hienas: sorrisos permanentes...
Mas, os vivos choram e choram,
rezam e rezam, enquanto os mortos
riem, riem e até gargalham...

Os mortos riem,
no Dia dos Mortos, ou não.
Tal qual hienas: sorrisos permanentes,
escárnio dos vivos-sobreviventes e mortos-vivos,
rotina da vida eternamente...

 

Sertão

Gente sem rumo, pé na estrada
Pão dormido, alma penada
Povo sofrido, assombração!

(sem eira nem, beira, de cuia na mão)

Rio sem água, caçuá vazio
Gado sem pasto, boi sem cabeça
Povo sofrido, judiação!

(sem eira nem beira, de cuia na mão)

Gente sem rumo, pé na estrada
Terra em brasas, feito tição
Povo sofrido, Sertão!

*A Ascenso Ferreira

 

 

Fonte:
Poemas enviados pelo autor

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