por
Meca Moreno
DO POVO
Ainda sobre a coluna de janeiro, intitulada Feliz 2007, venho esclarecer
que temos ali apenas um resumo de obras que foram lançadas e
eventos importantes, baseados na cultura popular, aos quais tive o prazer
de comparecer. Outros livros e eventos importantes aconteceram e até
compareci a alguns, mas se a temática não abordava as
coisas do seio da plebe, não foram citados. Porém, não
pude comparecer a todos, embora quisesse. Assim, tenho certeza que deixei
de ver e participar de muita coisa boa. Como por exemplo, o I Festival
Literário do Sertão, lembrado pelo poeta Josessandro Andrade,
uma louvável iniciativa realizada pelas pessoas da Escola Olavo
Bilac e mais uma pá de gente amiga, na cidade de Sertânia,
em pleno Sertão do Moxotó de Pernambuco, onde ocorreram
palestras e vários debates com feras como os poetas-escritores
Marcos Cordeiro, Luiz Carlos Monteiro, Alberto Oliveira e Vanusa Silva.
Todos, autores sertanejos com vivência acentuada em Sertânia,
além de Eraldo Miranda, escritor paulistano. Recitais, performances,
shows, exposições e muita cantoria de viola, é
claro. Na ocasião, dois ícones da poesia nordestina foram
homenageados: Waldemar Cordeiro, na passagem dos 15 anos do seu encantamento,
e outro poeta gigante chamado Walmar.
DE MOMO
Embora o tema momesco também seja coisa do povo, aqui, coloco-o
em separado apenas para melhor entendimento.
Conta a mitologia grega que da
união do Sono com a Noite, o Olimpo ganhou nova divindade: Momo
(em grego
- Mômos - burla, culpa; em
latim Momus), o deus do escárnio e
da galhofa, do sarcasmo, da enganação, da ironia, do gracejo,
da folgança, da brincadeira, da folia e da zombaria. Também
considerado por muitos como o deus dos poetas e escritores.
Devido à sua mania de ridicularizar
a todos, Zeus - deus dos deuses – castigou-lhe enviando-o para
viver entre os mortais. Mas pelo jeito ele não mudou, ao contrário,
entre nós encontrou o ambiente ideal para suas senvergonhices.
Então passou a ser representado por um jovem que constantemente,
com uma das mãos, punha e tirava sua máscara deixando
à mostra a sua cara safada, enquanto com a outra, segurava uma
boneca representando a loucura. Festejava fazendo muito barulho, sacudindo
guizos e mostrando o estandarte da folia.
A presença de Momo entre
nós é mais antiga do que parece. Alguns estudiosos afirmam
que chega a ser alguns milhares de anos antes de Cristo. É da
Roma antiga as seguintes informações: o soldado considerado
o mais belo, recebia o título e a coroa de brincalhão
mor, com direito a tudo, como comer, beber, brincar e fazer o que mais
quisesse até esbaldar-se, durante sete dias, de 17 a 23 de dezembro,
período em que começava o Solstício de Inverno.
Ao final, era conduzido ao altar do deus Saturno, onde era honrosamente
sacrificado. No ano seguinte, um novo soldado era eleito o mais belo
para ser o novo Momo e ser sacrificado nas festas em honra ao deus Saturno
(equivalente ao deus Cronos, na mitologia grega). As pessoas acendiam
velas e rezavam pedindo que o sol brilhasse novamente (solstício
de inverno).
Observe-se que não há
referência alguma a um deus gordo ou magro, mas a um deus necessariamente
belo, ao menos para os romanos antigos, que certamente não possuíam
os atuais padrões de beleza.
No Brasil, para o carnaval do
ano de 1933, foi eleito o nosso primeiro Rei Momo. No ano anterior,
um cronista esportivo do jornal “A Noite”, do rio de Janeiro,
trouxe a público um boneco de papelão que foi transformado
no comandante da folia. Houve desfile, colocaram-no em um trono simbólico
e a farra foi grande. Devido à repercussão, para o ano
de 1933, o jornal fez uma grande campanha, conseguindo eleger um rei
humano. O eleito foi o jornalista Moraes Cardoso, que era bastante gordo
e simpático. A partir daí passamos a ter reis gordos.
Muita festa, desfiles, confetes, serpentinas, bebidas e lança-perfume.
Seu reinado durou até 1948, quando faleceu.
A partir daí, até
1967, o substituto do rei Momo passou a ser de responsabilidade das
agremiações carnavalescas e jornalistas. Em 1968 foi oficializada
por lei estadual e em 1988 por lei municipal.
No Rio de Janeiro, entretanto,
o Rei Momo é escolhido oficialmente desde 1950, sempre com uma
grande festa.
Neste ano de 2008, em salvador
foi indicado para Rei Momo, o comerciante Clarindo Silva, de 1,70 metros
e 58 kg. Alegando não poder ter um Rei Momo magro, a Associação
dos Gordos e Obesos de Salvador (ASGOBS), conseguiu liminar destituindo
Clarindo do cargo, mas determinando que deveria haver um eleição,
com no mínimo 48 horas antes de iniciar o carnaval soteropolitano.
No domingo 27 de janeiro de 2008,
atendendo a recurso da Federação das Entidades Carnavalescas,
a liminar foi cassada pelo desembargador Paulo Furtado, do Tribunal
de Justiça da Bahía.
No Recife a escolha do Rei Momo
é oficial desde 1953. Neste ano de 2008, oito candidatos foram
apresentados como candidatos. Aqui o rei tem que ser bom de frevo, depois
de eleito, recebe a chave da cidade para reinar e representar as nossas
festividades juntamente com uma belíssima Rainha do Carnaval.
A final do concurso ocorre sempre no Baile Municipal do Recife.
Primeiros colocados no Carnaval
Multicultural do Recife 2008:
Rainha do Carnaval
1º lugar: Eliana Vieira (187 pontos)
2º lugar: Jamila Marques (185,5 pontos)
3º lugar: Gilvania Santos (185 pontos)
Rei Momo
1º lugar: Inaldo Fernando, 35 anos, 149 kg (192,4 pontos)
2º lugar: Everson Melquíades, 31 anos, 106 kg, (192 pontos)
3º lugar: Reyson Santos, 18 anos, 120 kg (176,5 pontos)
Grande abraço a todos!
Fontes:
Wikipédia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Momo
Recanto das Letras
http://recantodasletras.uol.com.br/artigos/103837
Prefeitura da Cidade do Recife
- Boletim diário Secretaria de Comunicação
www.recife.pe.gov.br
Site Terra
http://carnaval2008.terra.com.br/interna/0,,OI2279602-
EI10736,00.html
(fevereiro
de 2008)