por
Meca Moreno
O coração do Recife
continua em festa. Há motivos para isso.
Atenção! Eu não
disse que só há motivos para festas. É claro que
o Recife também tem problemas, os quais esperamos que sejam resolvidos
o mais rápido possível. Entretanto, quero chamar a atenção
para algumas coisas boas que têm acontecido na cidade. Em geral,
costuma-se dar uma dimensão maior às coisas ruins do que
às coisas boas. Exorto todos a fazerem o contrário. Sempre
que algo de bom acontecer, comemore muito. A energia gerada a partir
daí, certamente vai ajudá-lo a encontrar outras soluções.
Faço referência ao V Festival Recifense de Literatura,
que mais uma vez deixou a cidade em rebuliço e mostrou a nossa
capacidade de receber e fazer bem aquilo que deve ser feito. Uma programação
extensa e bem feita levou a arte literária da melhor qualidade
para todos os recantos, valorizando pessoas de todas as idades e espaços
diversos, dos mais simplórios aos salões das academias.
É óbvio que nem
tudo saiu exatamente como planejado. Aqui ou acolá, ajustes foram
e serão necessários sempre. Alegra-me perceber que a melhoria
contínua começa a impregnar aqueles que encaram a realização
de um festival bastante grande quanto à produção
e maior ainda quanto aos benefícios alcançados, aumentando
o aprendizado e o nível de consciência crítica para
se buscar algo melhor a cada edição do festival.
Acredito que a II Recitata tenha
sido o ponto de maior destaque dentro do V FRL, superando-se a primeira
edição em mais de cem por cento na quantidade de inscritos,
inclusive de outras cidades e estados, corroborando com a opinião
dos poetas Pedro Américo e Ivan Marinho, quando se referem à
Recitata como “um dos grandes encontros da poesia Brasileira”.
Vivemos esses encontros com o prazer que só a arte pode dar ensejo.
Vi muita gente trabalhando e dando
o melhor de si para que tudo transcorresse da melhor maneira para todos.
Vi e ouvi críticas relativas à visibilidade do tempo por
parte dos poetas em julgamento, quanto à distribuição
temporal para as apresentações individuais e em dupla,
bem como quanto à forma de apresentação dos candidatos.
Embora, em sua maioria, essas mesmas críticas talvez nem tivessem
surgido se os seus autores tivessem se dado ao trabalho de ler o regulamento
constante no edital que, não há dúvidas, precisa
ser mais claro em alguns pontos como, por exemplo, nas apresentações
em duplas: o(s) poema(s), necessariamente tem que ser de autoria da
dupla concorrente ou de apenas um deles? Se somente um recitar e o outro
apenas ajudar no desempenho da dupla, mas sem falar nada, a apresentação
deve ser considerada válida ou não?
Quanto ao júri, está
claro no regulamento que seus componentes serão escolhidos dentre
os da platéia, ou seja, temos um júri popular. Entretanto,
vi gente insatisfeita quanto a isso. Concordo que sejam escolhidos componentes
do meio do povo, mas acho que também deve haver componentes com
conhecimento técnico da poética popular e erudita, posto
que os concorrentes são das mais variadas vertentes, alguns com
esmeradas construções poético-literárias
e outros com poemas simples, mas de um valor acima do normal. Todos,
podendo ser ajudados pela performance vocal/corporal. A arte do ator
dando movimento à alma do poeta.
O sistema de notas também
pode ser aperfeiçoado. Para evitar discrepâncias entre
as notas dos jurados, poderíamos continuar com as pontuações
de cada um, excluindo-se a maior e a menor notas, passando-se a valer
para a soma geral dos pontos, apenas as notas restantes, com cada concorrente
podendo somar o total das notas dos juízes, menos a maior e a
menor notas. Evitando-se assim que o concorrente possa ser beneficiado
ou prejudicado por algum componente do júri, valendo a partir
daí, a média das notas restantes.
Vi também uma equipe de
produção aberta para receber críticas, sugestões
e contribuições para melhorias. As observações
acima e outras podem e até devem entrar na pauta de discussões
para o próximo certame, mas é claro que os ajustes/modificações
devem ser postos e decididos antes de tudo começar. Não
dá pra modificar as regras do jogo depois que a bola já
está rolando. Assim, todos seremos vencedores.
Chamo a atenção
para o fato de que dentre os dez finalistas, seis deles (incluindo as
duplas) são poetas populares ou apresentaram-se como tal. É
mais uma demonstração de que a poesia popular, aos poucos,
retorna às ruas.
Como nem só de críticas
vive o ser humano, vez por outra um elogio também ajuda a gente
a manter a bússula no rumo certo. Parabéns para todos!
Quero comemorar a vitória
de todos nós, estampada na cara de cada um dos finalistas abaixo: