Pedro Américo de Farias
Viagem de Joseph Língua

Assim falou Marcelino Freire, que coordena a Coleção LêProsa:
“Ave! Eu gosto de literatura assim. Batucada entre os dentes. Saliva risonha. Improviso, de repente. A gente não larga esse “Joseph”. Essa ladainha tão familiar. Quixotesca, bem-humorada, irônica. Desarmorial, com certeza. Poesia de primeira. Prosa verdadeira. Que tanto nos faz falta. Vivemos à míngua. Sempre à espera de uma riqueza. Pequena que seja. De uma novela como esta, que vem sacudir nossa moderna (?) literatura brasileira. Grande Língua! Essa do Pedro. Essa do Zé.”
Jomard Muniz de Britto vê em Viagem de Joseph Língua:
“Exercícios linguageiros capazes de transTornar o Terminal Rodo-Ferroviário da Barra Funda em Babilônias imaginárias, de tão reais & simbólicas, cotidianas e cosmopolitas. Pedro Joseph, Zé Pedrada da Língua, co-autores em viagens, errâncias, nominalismos, chistes e popfilosofias... Pedro Joseph Língua das Américas (oswaldianas) continua desafiando todos os nós, fios, pavios, parafusos e pesos pesados de uma inesgotável arqueologia dos saberes e prazeres... entre o humor corrosivo e o riso instigante. Depois dos experimentos anárquicos do cinema super 8 na década de 70 do século passado, lemos e gozamos agora de (e com) uma escrita polifônica, endiabrada, psicanaliticamente selvagem porque radicalmente criticista. Que os leitores, novos co-autores, possam transmutar este charmoso romancinho em narrativa romanesca de uma geração que não se apreende em datas, rótulos, mitos e megalomanias de um Brasil pro–fundos.”
Maria Alice Amorim, por sua vez, declara:
“Narrata Refero, Hermano Hoy, Joseph Língua, Pedro Américo de Farias: vozes de um mesmo ego-alter-ego cáustico, que foi e não foi exilado, que foi e não foi a Woodstock, que se rebela em alquimia de algaravias, desfragmentando signos, decifrando encruzilhadas… Visceral outsider em intermitentes diásporas, estilhaça códigos, com acidez e destemperança, nessa babilônia ficcional chamada realidade. O balaio de personas, de figuras, oferecido ao leitor à maneira de um ambrósio de cavalo-marinho, é um matolão de autorais colagens pop, surpreendentes, desconcertantes… Disfarçada de nonsense essa viagem leva a recônditos de aridez e mordacidade, umidade de chuvas e rebelião de ventos, lirismos e desmontes. A paisagens demasiado humanas de angústia universal.”
Wilson Araújo de Sousa, que abre o livro com o seu Aperitivo, celebra:
“pedro: primeiro, a (grande e agradável) surpresa, o impacto, depois, o pacto, a presa. fiquei tão empolgado quando comecei a leitura que fluí lendo com toda a cumplicidade da amizade (gostando e torcendo pra gostar mais); mais que isso: tudo foi sendo lido com o passionalismo do fã mais ardoroso – amigo é pra essas coisas?”
Pedro Américo de Farias
Nasceu em Ouricuri, no sertão pernambucano, filho de vaqueiro, há mais de quarenta anos vivendo no Recife, fumando e tossindo fumaça de gasolina, como canta Alceu Valença, em sua embolada. Lendo tudo que é ou parece texto, vendo e ouvindo tudo quanto pode ser chamado de arte, define-se como um experimentalista de linguagens poéticas, rejeita qualquer rótulo reducionista ou exaltacionista, preferindo ser chamado, simplesmente: poeta. E arremata:
Eu só escrevo na língua da poesia / ainda que seja prosa.
Viagem de Joseph Língua – romancinho. São Paulo: Ateliê Editorial, 2009 (Coleção LêProsa, vol. 8).