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GREG MARINHO
UM TOQUE

> por Ésio Rafael

 

Como se não bastasse o relicário poético e musical que o artista Greg conduz em seu bojo, frutos de uma herança agraciada por seus familiares, tanto do lado paterno, quanto do materno, dentro de uma perspectiva incomum! Familiares que lhe impõem de maneira natural um considerável peso, embora que em sessões de otimismo. Começando por Beatriz Marinho, sua mãe, que anunciou a sua vinda em expressões poéticas, no Natal de 83: -...O meu Cristo ainda está guardado. Realmente, pouco mais de dois meses, depois do Soneto dedicado ao futuro filho, Bia fitava pela primeira vez, a feição do seu rebento num momento único, exclusivo, emocionante e para sempre a presença do seu “Sumo Bem”, como ela havia dito. “O toque mágico das horas mais sensíveis”, como assim se expressou Greg, que já no mundo, onde parecia ter escutado ainda na barriga, as expressões da mãe, para soltar depois o verso na elaboração do seu primeiro livro: UM TOQUE DE POESIA. Desta feita, em Maio de 2006.
           
É claro que isso consolida a certeza dessa sintonia poética e fundamental em família. A avó paterna, Beatriz Passos, poetisa, com um nome histórico ou componente de história: - Beatriz, imortalizada pelo poeta Italiano, de Verona - Dante.
           
Greg foi batizado com o nome de Pablo Gregório, que é uma mistura de poesia, música e artes plásticas - Pablo Neruda, Milanêz ou Picasso. Depois, para arrematar, - Gregório. Gregório Bezerra – “O homem de ferro e de flor”, Gregório de Matos (segundo historiadores, fora quem primeiro pegou no “gogó” de uma viola, no Brasil). Ainda temos Gregório Filó, poeta que circula pelos umbrais da região do Pajeú pernambucano. Todavia, o nosso Gregório não está preocupado com tantos atributos, com tantos encargos, porque ele é uníssono, não só no gestual, mas nas atitudes, com toda a simplicidade de um grande poeta.

Portanto, - UM TOQUE DE POESIA é em si, um título feliz que leva a termo uma expressão que já chama à responsabilidade para uma leitura atenciosa por parte do leitor, mas impõe ao autor, subsequentemente um texto que “pague” o título. Que “pague o verso”, como se diz nas conversas dos “ouvintes de cantoria de viola”. – UM TOQUE DE POESIA está contextualizado no seio da família e dos amigos desse jovem poeta, que como não poderia ser de outra forma, pratica a autofagia, consumindo primeiro os belos frutos de sua lavra e assim, ele vai azeitando o verso, afinando a viola, temperando a garganta, porque já possui asas fortes para deixar a bolsa marsupial e partir para o mundo das incandescências.

 


ÉSIO RAFAEL é poeta, professor e pesquisador da cultura popular.

 

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