MARIA
DE LOURDES HORTAS
uma
poesia que conjuga a pureza e a coragem da mulher urbana

Breves notas
sobre a poesia
RELÓGIO DÁGUA,
poemas de Maria de Lourdes Hortas, é uma obra excitante pelo
muito que oferece ao leitor no âmbito de experiências
liricamente comunicáveis. Trata-se de uma poesia rica em sensações
visuais, auditivas e tácteis, elementos que contribuem para
a formação de uma variada tipologia de imagens. (...)
MLH é autora de uma poesia verdadeiramente lírica, sendo
este seu livro, lançado pelas edições Pirata,
um dos melhores aparecidos em 1985. CESAR LEAL (Relógio
d'água - Vertigem, Diário de Pernambuco, 22 de novembro
de 1985).
“Fossemos partir em busca
de modelos poéticos, diríamos que o texto de Maria de
Lourdes Hortas é ciciliano, embora sem o tom merencório
e desencantado de Mar Absoluto e Solombra”. HILDEBERTO
BARBOSA, Fio de lã, a poesia orvalho de MLH - Jornal
do Norte, Paraíba, 21 de outubro de 1983.
Cumprir o ritual da contemplação
dos mistérios de existir, transpondo-os para o verso onde imprime
a alma, tem sido o caminho da poetisa. (...) Na urdidura do texto,
ela realiza uma poesia que conjuga a pureza e a coragem da mulher
urbana, dividida entre duas pátrias, entre as quais não
pode escolher porque, segundo André Gide, “escolher é
renunciar” e não se pode renunciar ao dom da vida nem
à dávida da poesia”. ZULEIDE DUARTE,
apresentação do livro Fonte de Pássaros, 1999.
Poemas
inéditos
AS EVIDÊNCIAS
Alguma coisa
pelos túneis caminha
imponderável
sutileza de aranha
tecendo teias.
Do espelho
implacável
me assalta:
onde foi
a que foste?
JOGOS DÁGUA
Que chegue assim de assalto
imprevisível
sem se anunciar
como chega o destino.
Que venha leve e alto
como o vôo de um pássaro
que pouse igual ao vento
incauto e repentino.
Assim seja o alvoroço
sereno
nunca aflito
que cante silencioso
como a argila dos mitos
- elos de uma ilusão:
marcas pacificadas
sobre a pele do chão.
VIBRAÇÕES
Pelo rubi do vinho transparente na taça
pela brisa que espalha o cheiro a maresia
pelas rosas do dia
voluptuosamente
vermelhas abraçando
as arcadas do dia
pelo amor que me lembra
com sorriso de esfinge
pela verdade oculta
por tudo o que se finge
vale a pena este verso
de silencio que escrevo
com a pena da pomba
que tão plena se arrisca
riscando a brevidade
luminosa da vida.
BIOPOÉTICA