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Silvio Hansen
...poemas de exuberante beleza plástica


                                            gravura: Jorge Lopes 1

 

REFLEXOLHAR

por Paulo Bruscky 2

Pernambuco sempre foi muito produtivo em relação à sua poesia e colheu bons frutos: Manuel Bandeira, João Cabral de MeIo Neto, Carlos Pena Filho, Joaquim Cardozo, Ascenso Ferreira, Vicente do Rego Monteiro, que com seu livro Concretion, de 1952, antecipou-se à poesia concreta no Brasil e César Leal, entre outros, que a exemplo dos citados, fizeram importantes investigações dentro das poéticas experimentais.

Desde a década de 70 acompanho a trajetória de Silvio Hansen, quer na arte correio, onde teve uma destacada atuação, quer na literatura marginal ou de resistência, onde, juntamente com Marconi Notaro, editou 10 números da revista A Gaveta, que publicava todo tipo de proposta guardada, como diz o próprio nome. Ainda nos anos 70, criou, em conjunto com Unhandeijara Lisboa, Paulo Bruscky, Marconi Notaro, Daniel Santiago, J. Medeiros, Falves Silva e Pedro Osmar, o CAMBIU (Centros de Arte Marginal Brasileira de Informação e União). Na década seguinte criou o Grupo Ecológico, que fez diversas interferências na cidade do Recife, principalmente no Pina e em Boa Viagem.

Diante de tantas experiências e pesquisas daquela época até os dias atuais, quer trabalhando individualmente ou em grupo, Silvio Hansen também prestou uma importante colaboração à Associação dos Artistas Plásticos Profissionais de Pernambuco (AAPP-PE), quando ocupou diversos cargos nas diretorias na década de 80, como também neste mesmo período exerceu atividades de chefia na Coordenadoria do Patrimônio Histórico e Preservação do Acervo Cultural da Fundação de Cultura da Cidade do Recife (FCCR).

Suas propostas vêm amadurecendo e sempre trabalhando com temas ecológicos, com os escândalos políticos, o MST, a religião, aliados a computadores e à utilização de novos materiais, como fica comprovado nesta publicação, reunindo pela primeira vez o que fez de mais representativo nestas três décadas, destacando-se ao lado de poetas experimentais como Delmo Montenegro, Marcelino Freire, Juareiz Correya, Arnaldo Tobias, Sílvio Roberto de Oliveira, Jomard Muniz de Britto, Aloísio Magalhães, Marconi Notaro, Alberto Cunha MeIo, Daniel Santiago, Marciano Lyrio,Ypiranga Filho, Lula Vanderlei, Jobson Figueirêdo e José Cláudio, como um dos mais prolíficos pesquisadores da poesia visual em Pernambuco.

Nos poemas de Silvio Hansen, a idéiAção e a recriAção das imagens/palavras (chaves), aliadas à tecnologia, nos levam a Mário Costa em seu livro "O Sublime Tecnológico" quando diz:

"Com a produção tecnológica, a arte é sempre menos representação e sempre mais apresentação, mas o que ela apresenta não é mais a verdade ou o significado, mas os significantes e a sua lógica objetiva ou tecnológica."

PAULO BRUSCKY é poeta e artista plástico

 

 


do livro POESIA VISUAL

 

 

A POESIA VISUAL DE SILVIO HANSEN

por César Leal 2

Pela primeira vez, no Recife, edita-se um livro composto inteiramente de poemas visuais. São poemas de exuberante beleza plástica. Seu autor é Silvio Hansen, bem conhecido nos meios artísticos de Pernambuco. Poderíamos dizer que diante de tais poemas, contrariando Simônides, antigo poeta grego, a poesia visual é pintura que fala. Simônides afirmou certa vez que a pintura era a "muda poesia", em oposição à poesia sonora ou vocal, também considerada pintura pelos gregos.

A poesia visual sempre desperta reações entre poetas. Não só no Recife, mas também nos grandes centros do sul, onde é confundida com concretismo. Isso é paradoxal, pois o concretismo brasileiro faz parte de largo seguimento de nossa cultura moderna, sendo reconhecido como uma das manifestações mais fortes da literatura brasileira do século XX. Não são poucos os poetas brasileiros que têm composto poesia visual. No Recife, destacam-se Paulo Bruscky, ]omard Muniz de Britto, Daniel Santiago e Montez Magno, além de muitos que nunca divulgaram suas criações, como Edson Guedes de Morais, ]aci Bezerra, eu próprio, já equivocadamente chamado de concretista.

Este livro de Silvio Hansen constitui, sem dúvida, uma paisagem na nova poesia de vanguarda em Pernambuco e no Brasil, em um aspecto em que Delmo Montenegro vem sendo um dos mais jovens representantes.

CÉSAR LEAL é crítico literário e poeta

 

1 ilustração feita por Jorge Lopes para a coletânea Marginal Recife 5
2 textos do livro POESIA VISUAL de Silvio Hansen

 


CEPE 2007

 
Nascido em Paulista/PE, Silvio Hansen é artista plástico e poeta visual premiado em salões do Estado e Internacionais, é criador do Recital e Movimento Invenção de Poesia, foi recentemente eleito para diretoria da UBE-PE. Movimentos poéticos: Madrugal - Recife, abr/77; Vamos Pintar o Rio - Recife, mai/77. Livros publicados: Arte Circulante, 1985; Eu Poema Eu, 1994; Percepção Artística e Visual, 1996. Coletânea: Marginal Recife 5, 2007; Revistas: A Gaveta, 1976/77/78; Povis, RN/77; Multipostais - Recife, 78; Telegramark 78; Karimbada - PB/79; Buracoart 79; Punho Recife, 1980.

silvio.hansen@ig.com.br

 

APRESENTAÇÃO DO LIVRO POESIA VISUAL

Por Flávio Chaves

Depois de mais de três décadas sem publicar seus poemas visuais, Silvio Hansen reúne uma destacada seleção desse período nesta edição, comprovando a sua importante atuação como artista plástico conhecido e com uma trajetória de exposições e premiações no Brasil e no Exterior, entre as quais podemos destacar a sua participação, como um dos representantes brasileiros na Exposição Documental da Poesia Visual/Experimental Brasileira, na III Bienal Internacional de Poesia Visual y Experimental do México, em 1990, cujo curador do Brasil foi o também poeta visual Paulo Bruscky.

Apesar de pouco difundida, Pernambuco tem uma tradição dentro das pesquisas e experimentos visuais, projetando-se a nível nacional e internacional, a exemplo de Pedro Xisto, que foi um dos importantes introdutores do Hai-Kai no Brasil e de Vicente do Rego Monteiro, também artista múltiplo e pioneiro da poesia concreta no país, Joaquim Cardozo, Manuel Bandeira, César Leal, Arnaldo Tobias e diversos outros que deram uma importante contribuição para o alargamento do pensamento em relação às artes gráficas e uma reflexão sobre esse olhar. Dentro deste panorama, destacamos os múltiplos experimentos de Silvio Hansen em relação à poesia visual e suas diversas ramificações.

Esta publicação faz parte das comemorações dos 40 anos da Companhia Editora de Pernambuco - CEPE e do Poema/Processo, surgido simultaneamente em Natal/RN e no Rio de Janeiro/RJ.

FLÁVIO CHAVES é poeta e Presidente da Companhia Editora de Pernambuco - CEPE

 

Confira alguns poemas de Silvio Hansen, Paulo Bruscky, César Leal e Flávio Chaves no Cardápio de Poesia

 

 

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