Da Teoria do Poema
Quando um poeta sofre a sua encarnação
como poeta sente também necessariamente angústia em relação
a qualquer perigo que possa acabar com ele como poeta.
Harold Bloom
Escrevo contra todos os poemas
De coração contra o maior do que eu
O que se eleva dentre três dilemas
E redefine cada verso meu.
Escrevo contra todos os poetas
Em particular contra este brutal
O que não mata, então desinquieta
E me desterra qual o filho mal.
Escrevo com os punhos bem cerrados
Como se versus Mohamad Ali
Na esperança de não ser derrubado.
Escrevo tudo pelo contra enfim
Certo de que no inverso, logo ali
Alguém escreverá de encontro a mim.
Marcos
D`Morais
"Uma bela e pura escrita,
sensível, intimista, grave e secreta, contida; e de um inconfundível
mergulhar absolutamente sincero no naufrágio do qual nenhum de
nós está imune."
Eduarda Chiote
Desde a primeira leitura da Destruição
do Poema fiquei sob impacto. É terrivelmente belo. Faz-nos
um bem-mal imenso porque nos revela coisas que a gente não quer
lembrar, nem mesmo saber. O poeta, revelador da dor do mundo, egocentricamente
como destruidor de todas as ilusões. Agora mais maduro, mais
sábio e ao mesmo tempo, como paga, mais triste. Paixão
e tragédia como num Rimbaud, não necessariamente nesta
ordem, navegam dentro do livro num barco louco. E um sentimento estranho,
suicida nos bate à porta da alma.
Comparar com Recife Porto
não posso. Na verdade são incomparáveis. São
diferentes na densidade. O primeiro é uma pintura, às
vezes uma aguarela – daquelas inglesas, desmanchadas. O segundo
é como uma estátua de pedra dura, desafiando o tempo com
revelações destruidoras – fogueiras ardentes, autos
de fé, feira de vaidades – o poeta monge austero destruindo
Botticelli.
Fiquei longo tempo observando
com inveja um pássaro distraído que vagava entre as folhas...
Só espero que Da Destruição
do Poema não seja mais que seu Dies Irae, porque
é um livro triste, meu caro. (mas é belo!)
Aloísio de Lemos
Escrever "contra todos os
poemas" e ainda assim chegar à poesia foi o desafio de Marcos
D´Morais. Apresentando seu próprio personagem no centro
de muitos textos, seu poema, com desassombro "quer sobrevoar o
sol", colhendo ao mesmo tempo a cinza dos signos e a fênix
da eclosão poética em meio a escombros.
Antonio Carlos Secchin
Marcos D`Morais escreve como um
escafandrista que, com os pés na areia, encontra o tesouro que
está na praia e ninguém vê. Redescobre a poesia
elevada que está escondida sob o olhar embotado pelos dias, pela
máscara do cotidiano que ele transforma em cristal. Há
nele a força motriz da verdadeira poiesis.
Weydson Barros Leal
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Sobre o Autor
Depois de, aos 17 anos,
publicar, no Recife, o livro de poemas Expoente (1984), dedica-se
à música, fundando grupo com título homónimo.
Em carreira a solo, edita as letras de canções
Flores do Brasil: Um Poema Musical (1993) e o disco A Lenda
da Doce Nuvem. Regressa à poesia, com Recife Porto (2004),
e, em 2007, traz a lume Da Destruição do Poema.
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Paralelamente às actividades estéticas, licenciou-se
em Letras, pela FESV (1989), e em Direito, pela Universidade Católica
de Pernambuco (1998), seguindo-se um mestrado em Teoria da Literatura,
pela Universidade Federal de Pernambuco, com a dissertação
A Poesia dos Acordes (2002).
Já em Portugal, pós-graduou-se
em Direito Penal , pela Universidade de Coimbra com a monografia
Do Não Lugar: A Pós-Modernidade e a Globalização
Na Criminalidade Organizada (2006). Na Universidade do Porto,
escreve tese de doutoramento, em Literatura, sobre a poesia da
Geração 65.
Contato:
marcosrecifeporto@hotmail.com
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