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Graça Graúna

Tear da Palavra
o direito de sonhar e tecer a vida

 

 
  

 
Certo dia, ao ver seu amigo (o Cavaleiro da triste figura) muito desanimado, quase que desistindo da vida; Sancho disse-lhe para não esquecer que só o sonho que se sonha junto é realidade. Um outro quixotesco e irmão do mundo, Carlos Drummond, também não se cansou de reiterar em sua poesia que não faz sentido e não justifica mesmo sair por aí, se não for de mãos dadas. Dessa leitura, intui que, agindo assim, não haveremos de cair nas armadilhas da falta de solidariedade, do isola-mento, do preconceito, da fome, da miséria,
da violência generalizada, das injúrias, dos desafetos

 
e de tantos outros problemas que atingem a nós todos(as) a cada instante nesses tempos difíceis. Acreditando na alma e na força da palavra de amigos(as) e leitores(as) acerca dos meus escritos; procurei reunir alguns poemas dos livros Canto Mestizo e Tessituras da Terra e outros inéditos para festejar os 18 anos de Mulheres Emergentes. O lema da editora é “levar ao público a expressão poética contemporânea, em especial a feminina” (conforme as palavras de T. Diniz, na Coleção Milênio 2001).

Sendo assim, com licença poética, apresento este Tear da palavra que sugere o direito de sonhar e tecer a vida; o respeito às diferenças e o direito de cultivar a liberdade de expressão, sempre.

Graça Graúna
 

 

Opiniões

“Nas asas da Graúna vão sonhos e solidão. Voam tristezas e alegrias, tessituras da nossa alma da nossa terra. Poesia cheia de graça!” (Tânia Diniz, poeta, B. Horizonte, 2001).

 

“Já que a poesia de Graça, a Graúna, a Grauníssima explende na clara alma, vamos ler logo suas graças iluminadas. Assim, clareamos o coração, os corações, ganhando dela a água das sensibilidades. Afinal, vale peregrinar nesse vale, se vêm nos vôos encantados de uma ave as sementes brilhantes numa tessitura em azul” (Pascoal Motta, poeta, B. Horizonte, 2001).

 

“Em Graça Graúna a origem da textura é refletida através de ascendências e ancestralidades, sua comunicação poética é a trindade entre Tupi-guarani África e Terra de santa cruz, esta de nome Brasil – imagina qual o artefato do poema em Graça Graúna?” (Wilmar Santos, poeta e ator, B. Horizonte, 2001.)

 

“Por trás de um estilo aparentemente simples, ironicamente, Graça Graúna revela toda sua originalidade criativa usando a concisão, para alargar o leque de possibilidades interpretativas do leitor, desafiando-o a um “duelo interativo”, dos mais instigantes. [...] E porque a leitura dele [de Canto Mestizo] me entusiasma, afirmo, sem nenhum receio de estar sendo hiperbólica, que este é um dos melhores livros de poesia que já li nos últimos tempos” (Leila Miccolis, escritora, Maricá/RJ, 1999).

 

Parabéns pelas suas publicações em "Saciedade dos poetas...” do [site] BLOCOS, que estou lendo aos poucos, tanto as suas como as de outros poetas, também maravilhosos! Em particular, eu adorei o "Tear de sonhos", pois em poucas palavras você colocou o leitor sob um pé de flamboiyant, onde a imaginação sugere braços floridos em direção ao sol da poesia. Abraços” (Madalena Barranco, poeta, São Paulo, 2006)

 

um poema do Tear da Palavra:

Canción peregrina

I

Yo canto el dolor
desde el exilio
tejendo um collar
de muchas historias
y diferentes etnias

II

Em cada parto
y canción de partida,
a la Madre-Tierra pido refugio
al Hermano-Sol más energia
y a la Luna-Hermana
pido permiso (poético)
a fin de calentar tambores
y tecer um collar
de muchas historias
y diferentes etnias.

III

Las piedras de mi collar
son historia y memória
del flujo del espírito
de montañas y riachos
de lagos y cordilleras
de hermanos y hermanas
en los desiertos de la ciudad
o en el seno de las florestas.

IV

Son las piedras de mi collar
y los colores de mis guias:
amarillo
rojo
branco
y negro
de Norte a Sur
de Este a Oeste
de Ameríndia o Latinoamérica
povos excluidos.

V

Yo tengo um collar
de muchas historias
y diferentes etnias.
Se no lo reconocem, paciência.
Nosotros habemos de continuar
gritando
la angustia acumulada
hace más de 500 años.

VI

Y se nos largaren al viento?
Yo no temeré,
nosotros no temeremos.
Si! Antes del exílio
nuestro Hermano-Viento
conduce nuestras alas
al sagrado circulo
donde el amalgama del saber
de viejos y niños
hace eco en los suenos
de los excluidos.

VII

Yo tengo um collar
de muchas historias
y diferentes etnias.

 

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