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Chico Pedrosa
a voz da poesia

por José Honório da Silva*

foto: Cida Pedrosa                                

Chico Pedrosa

 

Eu deveria saber, porém não lembro como descobri Chico Pedrosa. Suspeito que foi vendo-o declamar “O Abilolado” ou “Presepada de Menino” em um daqueles memoráveis congressos de cantadores de Olinda, organizados por Guiuseppe Baccaro. Mas isso não importa. O que importa é que há mais de vinte anos ele é para mim um dos mais representativos ícones da poesia popular nordestina, com toda amplitude que essa expressão possa ter, como grande guarda-chuva que abriga o repente, o cordel, o aboio, o samba e marcha de maracatu, a poesia matuta, etc.

Porque Chico Pedrosa é múltiplo. Contou-me que se lançou na poesia em 1959, aos 18 anos, com um cordel um tanto autobiográfico, narrando as desventuras do nordestino no Centro-Oeste; envereda pela poesia matuta consagrada por Zé da Luz, Zé Praxedes, Zé Laurentino e outros tantos (nem todos Zés, mas também Catulos, Raudênios, Jessieres e Dedés); vai também de sonetos (inclusive no estilo de Augusto dos Anjos) e outras formas poéticas. Faz tudo isso com tanta propriedade que se torna difícil enquadrá-lo em uma ou outra vertente. Por isso sintetizo: Chico Pedrosa é poeta. Isso me basta. É um poeta da voz. Voz que se alicerça e se projeta no corpo. Seus versos podem nos chegar via folheto, livro ou CD, mas é ao vivo, com sua performance, que Chico Pedrosa se mostra na sua plenitude de poeta que encanta e emociona.

Como depõe Aleixo Leite Filho, “sua poesia tem cheiro de suor, gosto de lágrima e quentura de perfume das caboclas sertanejas. Tem a angústia dos injustiçados; o verniz da vegetação molhada e o cinzento opaco das caatingas; o cheiro do curral, bem cedinho, e a ardentia do sol de verão. E, mais do que isso, a alma escancarada do nordestino quando confia”.

Não bastasse o talento criativo e o carisma declamatório, Chico Pedrosa é guardião de uma alma assim, escancarada, amável e amiga, acolhedora e solícita. É sempre uma grande alegria pra nós que fazemos a União dos Cordelistas de Pernambuco-Unicordel quando temos a presença física desse mestre em nossos recitais (porque ele sempre está conosco), trazendo sua luz e sua bênção.

Salve Chico Pedrosa! Salve a Poesia!

*JOSÉ HONÓRIO é poeta e um dos fundadores da UNICORDEL
ledroc_pe@yahoo.com.br

 

Clique aqui para ouvir "A Briga na Procissão", na voz de Chico Pedrosa

Confira alguns poemas de Chico Pedrosa e José Honório da Silva na seção Cardápio de Poesia

 

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