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Pedro Raymundo
(1932 Juazeiro/Bahia - 1981 Juazeiro/Bahia)

 

 


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PEIXE DE LOUÇA EM CIMA DA MESA

O peixe grita socorro
fora d’água
em cima da mesa
e lhe põem flores na boca.

Ninguém entende
a saudade do mar
que nunca foi mar
do peixe de louça
que nunca foi peixe

Serão iguais todas as pessoas
na saudade de visões
do tempo antes
que elas próprias destroem
construindo quatro paredes
e inventando cidades
e fazendo relações?

 

POEMA DA NECESSIDADE

Costura-se. Borda-se. Caseia-se.
Plissa-se.
Cobrem-se botões.
Vende-se ovos e carvão.
Ensina-se inglês.
Dá-se aulas de violão.
Vende-se roupa usada.
Ensina-se particular
Matemática e Supletivo.
Vende-se costuras do Ceará.
Aluga-se uma casa.
Fornece-se marmita.
Há uma vaga num quarto
em casa de família.
Aceitam-se encomendas
de bolos e salgadinhos
para aniversários
e casamento.

Não vejo.
Creio que não há.
Não encontro.
É inútil procurar o anúncio
“VENDE-SE SONHOS”

 

ENIGMA

Eu me perdi
olhando o mundo.
Eu me perdi
quando mudei do meu passado
e não cheguei ao futuro.

 

 

Fonte:
Poética Ribeirinha – Antologia Literária de Petrolina
Elisabet Gonçalves Moreira
UPE - 1998

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