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Paulo Freitas
(1971 Rio de Janeiro)

 

 


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DE QUÊ PRECISA O ICONOCLASTA?

Eu Dedico este poema a Rodrigo Matos Ribeiro, poeta, amigo e irmão...
Se é que existe eu? Se é que existe poeta? Se é que existe amigo? Se é que existe irmão? Se é que existe Rodrigo? Se é que existe interrogação.

 

Eu não preciso das palavras,
não quero mais mudar o mundo.
Já não tenho nem boas intenções.

Não quero isso ou aquilo.
Não pretendo um futuro brilhante.
Não quero respostas.

Não quero regras ou normas,
boa vizinhança,
carro do ano,
tarde na piscina.

Não espero nem mesmo a primavera.

Eu não preciso dos barulhos...
e já não temo o silêncio.

Meu tóxico já envelheceu.
Minhas iras se esvaíram,

e nenhum retrato do passado me acompanha.

As grandes obras,
os grandes autores...
Ficaram no caminho

Já não como mais as páginas

Já não bebo tanto tantos versos.

Nem preciso da dor ao meu lado.

As coisas passam por mim,
e não me importo...
Nem ao menos abro meus olhos.

Eu não preciso mais sofrer.

O obvio.
A dor.
As coisas.
As iras,
tristezas,
verdades,
alegrias...

Tudo esta ao meu lado...
E não preciso disso ou daquilo

Não preciso que me entendam,
e não busco me entender.

Se por vezes sou laico
Por outras me derramo em fé

Não bebo as explicações Freudianas
Ou o empirismo de Friedman.

Não busco ou procuro.

Não preciso da ordem social.

Sou a própria subjetividade...
repleto de revoluções internas.
E não por isso quero revolucionar nada.

Entre o nada e o tudo
Vaga minha alma turva
Minhas confusões de pensamentos
Meus desejos subterrâneos
O que eu preciso?

Não preciso de um cigarro filosófico
Ou da sabedoria popular.

Se por vezes transito entre os pares...
E porque ainda não tenho céu ou inferno.

Minhas lágrimas não têm mais sal que outras...
E não menos meu riso é mais claro.

Nunca fui coletivista...
Mais também não caio de amores por meu egoísmo,
ou bebo da água santa de meu individualismo.

Nem mesmo a bíblia preciso ler.
Não quero provérbios,
Parábolas,
ou enumerações de meus pecados.

Não preciso dos blábláblás sociológicos,
ou das divagações religiosas...

E menos ainda da economia de mercado

A restrição que me come
Come também meus desejos de gente...
Meus sonhos comunistas...
Meus podres capitalistas.

O que eu preciso?

De pasárgada?
Um gole de água?
Um pedaço de pão?
Talvez do nada?
Talvez do tudo?
Ou apenas da interrogação...

 

 

Fonte:
Poema enviado pelo autor

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos