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Paulo Azevedo Chaves
(1936 Recife/Pernambuco)

 

 


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CAPITAL & TRABALHO

Dois operários a caminho do trabalho
na calçada conversam alegremente.
Na mansão o ócio inquieto e aflito.

 

AMOR E GUERRA

Fazer amor como se faz a guerra
ou para a morte ou para a vida.
E com um suspiro ou com um grito
subir ao céu ou cair no abismo.

 

AMANTES

Eles se lambem as axilas
com pinceladas de saliva.
Sêmen em lábios circunflexos.

 

TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA

A Nelson Rodrigues

Se morro ressuscita-me no asfalto
o beijo úmido do estranho, proibido
na boca dentes de ouro e perfil escrachado
de ladrão boliviano sedutor e pederasta.

O Rio boêmio foi cenário de minha ardência
com bonitinhos e ordinários em tristes hospedarias.
E lá como aqui, ontem como hoje ou amanhã
toda nudez será castigada e a inversão, estigma.

Mas prossigo... e vivo a marginalidade
como território de conquista, brasão
gotas de esperma perlando-me a fronte, a calva
minha grinalda de noiva em coma e delírio.

 

DRÁCULA 90

Padeço do mal de Drácula.

Nas madrugadas de lua cheia
ao uivar sem fim dos chacais
sugo na casa fantasmagórica
o mel viscoso do orgasmo.

Não brilha o sol no hibernar
do sepulcro.
Sangue coagulado em meu corpo
desvalido.

Entre castiçais negros e morcegos
guardiães
desperta-me o Réquiem para o coito
fúnebre

que ilumina minha noite de gemidos.

 

 

Fonte:
Poemas enviados pelo autor

 

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