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Paulo Caldas
(1945 Pernambuco)

 

 


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BARROSO

Barroso boneco de barro
Rebento de um pai vitalino
Sereno
Observa o destino
De estátua pra si reservado
Sisudo
Quieto
Calado
Dançando ou tocando seu pife
A tudo
A todos assiste
Barroso
Boneco de barro
Fechado em si mesmo é um triste
Escultura de pobres mercados
Às marcas do tempo resiste

 

SANTINHA

Santinha pequena mulata
Da corte retinta d'Angola
Tamancos tiaras argolas
Mantilhas colares de prata
Tambores ganzás e maracas
Espadas bonecas de cera
Descendo e subindo ladeiras
Da Sé, Boa Hora, Mandu
Santinha menina faceira
Rainha do maracatu

 

 

Fonte:
46 Poetas, Sempre
Organização: Almir Castro Barros
Edições Bagaço - Recife 2002

 

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos