Revoluções
libertárias, novos pretextos poéticos
Quem passa a vida que eu passo,
Não deve a morte temer
Com a morte não se assusta
Quem está sempre a morrer
Frei Caneca
Sopraram em Pernambuco os ideais
da Revolução Francesa de 1789, deflagrados na Revolução
de 1817. Sufocada, deixa as sementes da rebeldia que prosperam, de novo,
em 1824, com a Confederação do Equador.
O nacionalismo revolucionário,
antimonarquista, sobressai nas campanhas jornalísticas do Typhis
Pernambucano (1823-1824), dirigido pelo Frei Caneca, sob a égide
do Iluminismo.
Frei do Amor Divino Caneca é
fuzilado em 1825, no Forte das Cinco Pontas, após a derrota da
conjuração. Deixa o sentimento libertário como
herança poética.
Na literatura, ainda domina o
estilo neoclássico. A poesia de José da Natividade Saldanha (Jaboatão 1795 - Bogotá 1830), poeta revolucionário
dessa época, revela o lado patriótico e dilui o estético.
"Ai de mim que sou assim...
romântico"
A transição, em
Pernambuco, entre o neoclassicismo e a nova estética do Romantismo,
surge na poesia de Maciel Monteiro, o Barão de Itamaracá.
O poeta dos salões nasce no Recife em 1804. Político e
diplomata, atua em Lisboa onde morre no ano de 1868. Seus poemas, então
esparsos, foram reunidos e publicados em edição póstuma
(Recife 1905) por Regueira Costa e Álvares de Carvalho. O soneto
FORMOSA contém elementos românticos como a divinização
da mulher:
Formosa, qual pincel em tela
fina
Debuxar jamais pôde ou nunca ousara;
Formosa, qual jamais desabrochara
Na primavera rosa purpurina
Formosa, qual se a própria
mão divina
Lhe alinhara o contorno e a forma rara;
Formosa, qual no céu jamais brilhara
Astro gentil, estrela peregrina
Formosa, qual se a natureza
e a sorte,
Dando as mãos em seus dons, em seus lavores
Jamais soube imitar no todo ou parte;
Mulher celeste, oh! anjo de
primores!
Quem pode ver-te, sem querer amar-te?
Quem pode amar-te, sem morrer de amores?!
Maciel Monteiro
O navio é
negreiro
Mal de amor não tem remédio.
De saudade, tristeza e tuberculose morrem os poetas ultra-românticos.
Meados do século XIX. O
céu é do condor. A poesia social dessa última fase
romântica se inspira em Victor Hugo. Com 16 anos, em 1864, Castro
Alves chega ao Recife para os estudos de Direito. Além dos suspiros
pela atriz Eugênia Câmara, o baiano empresta voz e versos
à grande causa do abolicionismo. Na mesma época, vem para
ficar o sergipano Tobias Barreto. Poetas rivais, Castro Alves e Tobias
Barreto agitam o Teatro de Santa Isabel com embates poético-passionais.
Pertence a essa fase condoreira,
Vitoriano Palhares (Recife 1840-1890), com um lirismo subjetivo e patriótico,
que tem a Guerra do Paraguai como tema.
FINAL
DO SÉCULO XIX
Ciência,
filosofia e arte
Século dezenove! o bronze
do teu vulto
Há de ser venerado, há de se impor ao culto
Dos pósteros, bem como impõe-se à escuridão
Um relâmpago, um raio, um brilho, uma explosão!
Martins Júnior
(Visões de Hoje)
Em torno de 1870, desembarcaram
no Recife as influências do realismo europeu, embora românticos
versos inspirassem ainda (e sempre) as vocações poéticas,
tênues que são os limites de um movimento literário
a outro. A vida intelectual da cidade é intensa. A Faculdade
de Direito é o grande centro de formação de bacharéis,
vindos de todo o Nordeste. Aglutinava professores e estudantes em torno
das causas abolicionistas e republicanas, com destaque para os sergipanos
Sílvio Romero e Tobias Barreto que nela viria a ensinar.
A Escola do
Recife
Após a fase condoreira
(1867-1870), a poesia romântica de Tobias Barreto cede espaço
à oratória e à prosa científica. Será
a figura central da escola que o crítico literário Sílvio
Romero, um dos seus seguidores, denominará Escola do Recife,
sob a égide da filosofia alemã. Irradiará a nova
ordem no meio cultural do Recife com base no positivismo e no evolucionismo.
Martins Júnior (Recife
1860 - Rio 1904) assumirá o tom realista na sua poesia científica:
Lateja-me, no crânio, o cérebro e, no peito, // lateja-me,
fervente, o coração. Termos científicos que, no
início do século XX, o paraibano Augusto dos Anjos (PB
1884-MG 1914), utilizará no seu livro Eu.. Morou no Recife e
poetizou a Ponte Buarque de Macedo.
A virada do
século
O ideal da impessoalidade que
se contrapõe ao Romantismo e o culto pela forma ditam o verso
parnasiano. A estética da arte pela arte, assimilada dos franceses
Theóphile Gautier e Leconte de Lisle, atravessa os primeiros
vinte anos do novo século.
O poeta pernambucano, Medeiros
e Albuquerque, inaugura o Simbolismo no Brasil, antes de Cruz e Souza,
ao lançar Pecados, em 1889.
Parnasianos do fim do século
e os neoparnasianos, seus sucessores, cultuarão o gosto pelo
soneto, traídos muitas vezes pelos traços românticos
e até simbolistas dos temas. Eis o cenário recifense dos
poetas que abrangem esse período:
Farias Neves Sobrinho, Gervásio
Fioranti e Carlos Porto Carreiro publicavam na Revista Contemporânea,
dirigida por França Pereira e no Almanaque de Pernambuco, de
Júlio Pires.
A essa geração sucede
a da Heliópolis com Teotônio Freire, Manuel Arão,
Mariano Lemos, Bastos Tigre. Esdras Farias é o poeta da geração
boêmia.
Destacaríamos Olegário
Mariano, radicado no Rio de Janeiro e Eugênio Coimbra Júnior,
jornalista com produção poética até os anos
70 do século XX.
Estes quatro séculos de
panorama poético delineiam o caráter aglutinador e cosmopolita
da literatura em Pernambuco, pólo cultural do Nordeste: seus
poetas são também, alagoanos, baianos, cearenses, paraibanos...
SÉCULO
XX
Fartos do lirismo
comedido
Até início dos anos
20, com raras exceções, a produção literária,
mais especificamente a poesia, restringia-se ao soneto de forma repetitiva.
Evidente que este marasmo seria sacudido pelos ventos transformadores
que agitavam as diversas manifestações culturais, em várias
partes do mundo, sendo São Paulo, no sul do país, o pólo
dessas mudanças que culminaram na Semana da Arte Moderna de 1922.
Com Gilberto Freyre à frente,
consolida-se um movimento que direciona a renovação cultural
para o Regionalismo em Pernambuco, gerando fatos como o 1º Congresso
Regionalista do Nordeste e a conseqüente publicação
do Manifesto Regionalista. Por outro lado, polemizando, Joaquim Inojosa
divulga as tendências modernistas na cidade, à semelhança
de São Paulo.
Quanto à renovação
da poesia, cuja produção ainda continuava, na sua maior
parte, presa ao Romantismo e ao Parnasianismo, coube papel de destaque
à Revista do Norte, idealizada por José Maria de Albuquerque
e que reunia intelectuais freqüentadores do Café Continental,
na Esquina da Lafaiete, centro do Recife.
Dessa década saem poetas
como Benedito Monteiro, Vicente do Rego Monteiro (também pintor)
e Austro Costa. Mas é a poesia de Ascenso Ferreira, impregnada
de sensualidade brejeira, de saudade dos engenhos (seu primeiro livro
Catimbó foi lançado pela Revista do Norte), ao lado da
obras de Joaquim Cardozo e de Manuel Bandeira, já radicado no
Rio de Janeiro, que irão marcar essa época. Trio que instaurou
a modernidade entre nós.
Geração
45, o retorno à medida
O lápis , o esquadro,
o papel;
O desenho, o projeto, o número:
O engenheiro pensa o mundo justo,
Mundo que nenhum véu encobre
João Cabral de
Melo Neto(O engenheiro)
É a geração
que, em várias partes do Brasil, sucede ao furor experimental
do Modernismo de 22, com suas próprias experiências na
linguagem poética, de acentuada preocupação com
o rigor formal e com a metalinguagem - a poesia que fala da poesia.
A recusa, por exemplo, aos poemas piadas, aos versos livres, é,
de certo modo, o denominador comum dessa geração, assim
batizada, por Domingos Carvalho da Silva, em 1948.
Em Pernambuco, a produção
poética local apresenta, também, uma temática de
caráter neo-regionalista.
Situam-se, neste contexto, Mauro
Mota, Carlos Moreira e Edson Regis. O alagoano Geraldino Brasil lança
seu primeiro livro de poemas em 1948. Na trajetória pernambucana
de sua poesia, prende-se pouco ao rigor formalístico e imprime
em seus versos o tom coloquial do espetáculo da vida. Deolindo
Tavares faz poesia ainda nos anos 30, mas sua obra só é
publicada postumamente em 45.
Por critério cronológico,
alguns ensaístas acrescentam o nome de João Cabral de
Melo Neto, no entanto, sua poesia vai além dos padrões
dessa geração. Considerado um dos maiores poetas da língua
portuguesa, Cabral ultrapassa as fronteiras de Pernambuco e do Brasil.
Solano Trindade
(Recife 1908 - Rio 1974)
Civilização
branca
Lincharam um homem
entre os arranha-céus
(li num jornal)
procurei o crime do homem
o crime não estava no homem
estava na cor de sua epiderme.
(in Cantares ao meu povo)
A poesia de Solano Trindade vai
do humanismo socialista à defesa dos valores afrobrasileiros,
atingindo a universalidade pelo vigor da linguagem poética.
Além
de Gerações
Grupo
de poetas com estréia a partir dos anos 50, como é o caso
de Carlos Pena Filho, Edmir Domingues e Audálio Alves.
Como divisor de águas entre
essa geração e a dos poetas que irão compor a geração
65, situaríamos a poesia de César Leal, poeta e ensaísta.
Segundo o crítico Eduardo Portela sobre a produção
poética César Leal: o trabalho encantado da linguagem
é das construções mais convincentes da nossa literatura
contemporânea.
Francisco Bandeira de Mello, também,
inicia nos anos 50 a sua produção poética, com
destaque para os seus sonetos líricos. No início de 60,
surge a poesia de Sebastião Uchoa Leite, que se notabiliza, ainda,
como ensaísta e, apesar de sua permanência longe do Recife,
deixa, após sua morte, um vazio intelectual na cidade.
Vertiginosamente
azul
Carlos Pena Filho
Poeta dos mais queridos nesta
cidade "metade roubada ao mar, / metade à imaginação,"
onde nasceu em 1929 e morreu em 1960. O lirismo dos seus sonetos permanece
na memória dos antigos e novos freqüentadores, ou não,
do Bar Savoy pois é lá que
o refrão é sempre
assim:
são trinta copos de chope,
são trinta homens sentados
trezentos desejos presos
trinta mil sonhos frustrados.
GERAÇÃO
65
Múltiplas margens
Tadeu Rocha foi quem a denominou.
O grupo é numeroso. Seus poetas ainda estão atuantes,
daí a ambigüidade de se classificar artistas por geração.
Muitos começos. Todos em torno de 1965. O crítico literário
César Leal lança no Suplemento Literário do Diario
de Pernambuco e na revista Estudos Universitários os primeiros
nomes desta geração: Jaci Bezerra, Alberto Cunha Melo e Domingos Alexandre. Esman Dias, Everardo Norões e Orley Mesquita publicam seus poemas na Clave - caderno de poesia (Tipografia Marista
1965)
Outros poetas se aglutinam. Freqüentam
os bares Torre de Londres (13 de Maio) e Savoy (Guararapes) e a Livro
7. Celina de Holanda os reúne em sua casa. João Cabral
é a influência maior. Pertencem, também, a essa
geração: José Carlos Targino, Marcus Accioly, Arnaldo
Tobias, Ângelo Monteiro, Montez Magno, Fernando Monteiro, Marco
Polo, Sérgio Moacyr de Albuquerque, Tarcísio Meira César,
Severino Filgueira, José Rodrigues de Paiva, Cyl Gallindo, José
Mário Rodrigues, Gladstone Vieira Belo.
Incorporam-se, depois, Almir Castro
Barros, Luis Carlos Duarte, Lucila Nogueira, Janice Japiassu.
ANOS 70
Movimento Armorial
Voltado para uma temática
nordestina, abrangendo a literatura, a dança, a música,
as artes plásticas e as artes cênicas, seu objetivo é
a realização de uma arte erudita brasileira. O poeta e
dramaturgo Ariano Suassuna foi o criador do Movimento.
Pertenceram ao movimento os poetas
Ângelo Monteiro, Deborah Brennand e Janice Japiassu.
A palavra da mulher
O final do século XIX já
revelava uma atuação de poetisas pernambucanas escrevendo
em jornais e revistas literárias que circulavam entre mulheres
de todo o Brasil. Ao contrário dos jornais masculinos que as
associavam à maternidade e ao magistério, abordavam temas
políticos, contra a escravidão e a favor da República
e em seus poemas falavam do amor, do desejo, e da vontade de escrever.
São elas:
Francisca Izidora, Thargélia
Barreto de Menezes, Ana Nogueira, Maria Heráclia e Joana Tiburtina
Lins.
O Recife apresenta uma marcante
presença feminina na poesia contemporânea..
Em 1979, a poeta portuguesa, naturalizada
pernambucana, Maria de Lourdes Hortas, reuniu em livro sob o título
Palavra de mulher (poesia feminina brasileira contemporânea) poetas
mulheres de todo o Brasil, destacando as de Pernambuco: Tereza Halliday,
Celina de Holanda, Deborah Brennand, Maria da Paz Ribeiro Dantas, Tereza
Tenório, Zila Mamede, além da própria Maria de
Lourdes Hortas e Lucila Nogueira.
Acrescentaríamos a esta
lista de mulheres uma nova geração de poetas: Dione Barreto,
Fátima Ferreira, Vernaide Vanderlei, Andrea Borba, Miriam Brindeiro,
Clara Angélica, Cida Pedrosa, Lea Lopes, Júlia Lemos e
Danielle Romani, Silvana Menezes, Aline Andrade, Cecília Villanova,
entre tantas outras.
Resistir era preciso
Os anos 70 dão continuidade
àquela poesia da década de 60, fiel ao lirismo bandeiriano
ou herdeira de Cabral.
Entretanto, uma nova postura de
fazer poesia como alternativa ao lirismo comedido ou como resistência
aos poderes dominantes (golpe de 64) ocorre, também, em Pernambuco,
a exemplo de outros pontos do país.
Dos meados da década de
70 ao início dos anos 80, Recife e Olinda são agitados
por diversas manifestações poéticas: recitais,
movimentos alternativos, caminhadas poéticas. É a poesia
em bares, praças e ruas.
Convive-se com uma poesia que
vai do texto bem comportado à vertente dos demolidores da linguagem,
como um Jomard Muniz de Britto, professor universitário, cineasta,
poeta e ensaísta.
Para o crítico paraibano
Hildeberto Barbosa Filho em seu ensaio sobre a Terceira Aquarela do
Brasil: uma escritura tropicalista: Jomard Muniz de Britto opera em
múltiplos níveis: o redimensionamento histórico
(Terceira Aquarela do Brasil); a desmistificação pedagógica
(educação pela marreta); o estamento cultural pelo avesso
(procura-se vivo ou morto); a perquirição política
do momento (PT situações) e a leitura reiterativa do Nordeste
(nos abismos da pernambucália).
Ligados, ainda, a esta vertente
de desconstrução / construção da linguagem
estão os poetas Pedro Américo e Wilson Araújo de
Souza que, em parceria publicaram o folder Pedro Américo/Wilson
Araújo.
Encontramos exemplo do poeta individual,
andarilho, em Juareiz Correya. À época, Juareiz costumava
viajar pelo interior abrindo espaços como divulgador de sua poesia.
Publicou Americanto.
Poesia Visual
Segundo depoimento de Paulo Bruscky,
o poema Processo surgiu em dezembro de 1967, simultaneamente em Natal
e no Rio e teve não só grande repercussão como
adesão de artistas e poetas pernambucanos. No período
de 1968 a 1972 integraram este movimento: José Cláudio,
Ivan Maurício, Arnaldo Tobias, Paulo Bruscky, Jobson Figueiredo
e Alberto Cunha Melo.
Vale ressaltar a colaboração
do Caderno C do Suplemento Cultural do Jornal do Commercio dirigido
inicialmente por Celso Marconi e depois por Alberto Cunha Melo, que
publicaram não só poetas locais, como também textos
teóricos sobre o Poema Processo.
Alguns fatos são pioneiros,
como o Livro do carimbo de José Cláudio, a publicação
coletiva de Metamorfome de Ivan Maurício (livro envelope) com
trabalho de José Cláudio, Zezo, Daura, Humberto.
A partir de 1973, eclodem no Recife
movimentos de Poesia Visual e Experimental, além da Arte Correio
ou Arte Postal, sendo Paulo Bruscky iniciador deste movimento pioneiro
no país. Entre os participantes mais ativos estão Jomard
Muniz de Brito, Daniel Santiago, Paulo Bruscky, Silvio Hansen, Arnaldo
Tobias, Wilson Araújo, Pedro Américo, Ivan Maurício,
Ypiranga Filho, Tarcísio Silva, Marconi Notaro, Maurício
Silva, Leonhard Frank Duch e Alexandre Nóbrega. Várias
publicações foram feitas neste período: revista
Punho 1973; Envelope Multipostais 1978; Revista A Gazeta 1977; Telegramarte;
Envelope 1978; Revista Classificada 1979 e Marca da Fantasia 1984.
ANOS 80
A poesia independente
Em 1981, começou no Recife
o Movimento dos Escritores Independentes. Caracterizou-se pela promoção
de recitais de poesia nas ruas: na calçada em frente à
Livro 7, no Bar Casarão, na Rua Sete de Setembro, no Beco da
Fome e na Praça do Sebo. Esse tipo de poesia começou a
ter peso na imprensa e na intelectualidade pelo público que atraía.
Marcelo Mário de Melo, um dos participantes, nos conta que nas
manhãs dos sábados toda a freguesia das Lojas Americanas
(próxima à Livro 7) se deslocava para ouvir e ver os poetas.
Marcelo ressalta que nem sempre
havia nessa poesia um conteúdo crítico, político
ou social. Se um poeta queria apresentar o seu poema, ter seu público,
integrava-se a esse grupo para tal.
Participavam os poetas: Marcelo
Mário de Melo, Léa Lopes, Azimar Rocha, Don Antônio,
Geni Vieira, Wilson Freire, Jane Faria, Caesar Sobreira, Eduardo Martins,
Cida Pedrosa, Francisco Espinhara, Samuel Santos, Fátima Ferreira,
Chico Sá, Hector Pellizi, Manoel Constantino, Fred Caminha, Lenilda
Andrade, Dione Barreto, Luis Carlos Monteiro.
Recitais ainda ressoam nos eventos
de hoje. Outros poetas aderem e formam novos grupos com performances
nos acontecimentos da cidade.
Vem da década de 80 a atuação
de dois novos poetas, revelados, também por César Leal:
Weydson de Barros Leal e Mário Hélio.
Os poetas da Rua do Imperador
O grupo "Os poetas da Rua
do Imperador" foi uma invenção do poeta Vital Corrêa
de Araújo, reunindo poetas que transitavam ou trabalhavam por
aquela rua, entre eles, Iran Gama e Edgar Powell.
ANOS 90
A lição
de poesia: marginal ou acadêmica?
Fazer versos, isso se aprende
em academias? Ganha o Recife a sua geração 95? Existe
uma produção poética que já chega madura,
respaldada em erudição e embasamento teórico? Ou
a poesia anda solta nas ruas, nas praças, nos bares? tão
livre quanto seus poetas marginais? O final da década traz a
poesia de Alvacir Raposo com a publicação d'O discurso
do rei.
O ano 2000 inicia o milênio
com Eduardo Diógenes lançando o livro A Barlavento. Jairo
Lima surpreende com o Livro das Árias e das horas-pequeno livro
das nuvens.
Da lama ao caos
Chico Science dá o mote
e o compasso aos exercícios de linguagem dos mais jovens praticantes,
com direito a se legitimar na arte da poesia. O manguebeat bate forte
nos ritmos, nos versos e nas letras de música.
Novo milênio
Linguagens plurais. Multimeios.
Que vanguardas? Quais rupturas ou neoconservadorismos? "poesia@com.pe"?
Quem navegar, neste site, verá!
Desenhando o mapa poético
da cidade, a Prefeitura do Recife vem editando as coletâneas Marginal
Recife, Estação Recife e Invenção Recife,
que se tornaram fonte de referência ao contemplar as várias
dicções de seus poetas.
O
PANORAMA VISTO DOS ARRECIFES
Esta abordagem não é
um dicionário. Uma rica produção poética
que, por sua qualidade, projeta Pernambuco no cenário literário
nacional merece uma história revisitada. Precisa de revistas,
suplementos literários e outros espaços, como este site,
para revelar os novos e instigar os que permanece.
Foram registrados, em poucas páginas,
alguns aspectos da convivência lírica de Pernambuco com
seus poetas. Eles continuam aqui onde o mar é uma montanha, e
têm o sentimento do mundo. As temáticas e a ordem cronológica
não fazem a poesia e sim os poetas que, por valor intrisecamente
literário, reacendem a cinza das horas, falam somente com o que
falam, com as mesmas vinte palavras e pintam de azul os seus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas.
*Pesquisa e texto
Heloísa Arcoverde de Morais
Mestra em Literatura Brasileira pela UFPB
Dissertação Escola: Poesia? Presente?
Confira também a entrevista
de Heloísa Arcoverde de Morais concedida a Mário
Hélio