por
Raimundo de Moraes
Com certo atraso fui parabenizar
Paulo Azevedo Chaves pelo seu aniversário e atualizarmos um pouco
as pequenas novidades do cotidiano.
Quando morava na Rua Amélia,
no Espinheiro, Paulo batizou sua residência-galeria de arte de
Casa Azul. Depois, numa outra casa, em Afogados, seu new address recebeu
o sugestivo nome de Shangri-La, o paraíso perdido de James Hilton.
Agora, morando na Granja Santo
Antonio, num bucólico condomínio do Jaboatão dos
Guararapes, Paulo instalou-se na Casa Branca – não existe
o telefone vermelho de George Bush mas com certeza um aparelho vermelho
de baquelita não iria destoar do look um tanto década
de 50.
Paulo vive uma nova fase de sua
vida. Superou o ostracismo compulsório dado pelo Diario de Pernambuco
e agora faz ótimas crônicas no Jornal do Commercio e trabalha
como tradutor para o Grupo João Santos.
A vida não começa
aos 40, meus caros. Começa quando queremos que ela comece.
* * *
Fui ver a sexta edição
de Arte em Toda a Parte, organizada pela Prefeitura de Olinda. O evento
ganhou grandes dimensões e espero que os coordenadores fiquem
atentos a alguns pequenos deslizes: o folder do roteiro das exposições
e galerias deveria ser bilíngüe – como o catálogo,
que foi primorosamente impresso em português/inglês - e
apenas 9 vans (número repassado por um dos monitores) não
foram suficientes para quem queria iniciar o percurso em quatro rodas.
Eu e minha acompanhante, a artista plástica Joseane Lira, ficamos
40 minutos na fila de espera, no Mercado Eufrásio Barbosa. Outra
deficiência: fui ao centro de informações turísticas
e perguntei se existia algum funcionário que falasse inglês
ou espanhol. As atendentes atônitas responderam: a pessoa acabou
de sair.
Lá fora, na calçada,
uma dupla de franceses tentava entender o folder e a falta de uma sinalização
mais eficiente.
Mas mesmo assim, esses detalhes
falhos não tiraram o charme do Arte em Toda Parte, que este ano
homenageou merecidamente o querido Bajado. Confesso que apenas uma tarde
não é suficiente para ver todo o aglomerado artístico
espalhado nos ateliês de Olinda. En passant destaco as esculturas
de Nicola (o queridinho dos arquitetos com seus anjos bochechudos),
as telas de Anchieta, os trabalhos em ferro de Alfredo Zéferino
(maravilhosos os seus passistas). Nesse tema (frevo) lembro das interessantes
sombrinhas de material reciclado criadas por Reginaldo Souza. E para
minha surpresa, no bric-à-brac de conceitos, talentos e materiais,
numa das exposições vi um point homoerótico: os
pastéis (ou guache? Não lembro mais) assinados por Fernando
Pedrosa.
No final – pois minha acompanhante
é artista, mas não maratonista e já estava exausta
com tanta ladeira – visitei a casa- ateliê de Teresa Costa
Rego, que é um verdadeiro templo de cor, sensualidade e magia.
No ateliê de Badida, já na porta de saída vi uma
foto da artista com 18 anos. Não resisti e disse: parece com
Doris Day! E a própria Badida disparou sua sentença: o
tempo é um canalha, meu filho.
* * *
E na Europa, a New 7 Wonders Foundation
(Fundação Novas 7 Maravilhas) se apressa para escolher
as novas maravilhas arquitetônicas do planeta. Pra quem não
sabe, essa história dos sete monumentos mais belos do mundo começou
com Philon de Bizâncio, em 200. a.C. Depois, as belezas foram
sendo destruídas e desaparecendo (o tempo além de canalha,
transforma tudo em pó, meu filho). Da lista de Philon hoje só
existem as pirâmides do Egito.
Então surgiu a tal Fundação
Novas Maravilhas, que está visitando os cinco continentes com
o objetivo de conferir in loco e apontar as novas superbelezas da humanidade.
Desta vez a coisa está mais democrática: as indicações
dos monumentos foram realizadas via internet, com 20 milhões
de votos de internautas de todo o mundo.
Atualmente a lista tem 21 finalistas,
e as Sete Novas Maravilhas serão anunciadas em 07/07/07. O Brasil
está concorrendo com um monumento: o Cristo Redentor do Rio de
Janeiro.
* * *
Este colunista entra em férias
em janeiro e por isso antecipadamente deseja que os nossos paraísos
interiores se tornem realidade em 2007. Ou que cada um descubra o caminho
adequado para atingi-lo. Não custa tentar.

Entre
o céu e a montanha, Machu Picchu
está entre os finalistas da New 7 Wonders Foundation.
Foto: Frank Delargy
(dezembro
de 2006)
raimundodemoraes@interpoetica.com