|
|
|||
|
Orismar Rodrigues
|
|||
|
|
LÁGRIMA-SANGUE
Cegar os olhos
como fez Édipo com os seus
não me impediria deixar de ver-te
Amar-te
disseram-me os ventos-oráculos
será a maldição de Cupido a carregar eternamente
És hóspede da minha lágrima-sangue
conduzido como facho e sombra errantes de jardins
solitários
As flores-de-sol murcharam. Os beija-flores de ouro
agonizam
num chão de folhas secas
teus pés abriram caminhos
Entrego
a alma vestida de luas e de estrelas
aos pássaros de fogo que vão buscar o azul-profundo
do mar
No leito
Meu deus dorme coberto com branca seda
Bebo o vinho,
como o pão
envenenados de paixão
ESPELHO Revela-me o espelho o tempo. Tempo não mais tenho. Não mais consultarei o espelho. |
||
|
|||
INTERPOÉTICA
© 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos |
|||