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Olimpio Bonald Neto
(1932 Olinda/Pernambuco)

 

 


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AMOR ULTRAMILÊNIO

Cantar o amor que passa além da vida
De Dante a Mauro Mota: a mesma empresa.
A tanto eu tentarei, por ti, querida
Gravar do nosso amor toda a grandeza.

         Que esta aventura o século varou
         Com a mesma chama iridescente acesa.
         Qual raio laser estigmatizou
         A humana lida, plena de incerteza.

E sobrepôs, ao Tempo e às cicatrizes
Dos embates da Vida, a beleza
De mil constelações de tungstênio.

         Até fazer de instantes as matrizes
         Da Eternidade, dando-me certeza
         Que hei de te amar por todo o outro milênio!

 

O POETA, QUANDO JOVEM.
(LENDO AUGUSTO DOS ANJOS)

Perto ou longe, num mar de Dor vagando,
Em vão, com a mente espadanando, tenta
E, rude, desepera-se buscando
Vencer a Solidão que o atormenta.

         Num delírio de asceta o jovem empenha-se
         Roubar da vida a Vida que mais ama
         E abate-se, flagela-se, condena-se
         A ver se da Esperança extingue a Chama.

O tempo passa. E as dores dão certeza
Da ingratidão -enzimas de arsênico -
Que, em busca a Perfeição, matam a Beleza.

         E ao fim resta somente para uns poucos
         O mundo cataléptico do asténico
         Na Solidão asséptica dos loucos.

 

 

Fonte:
Pernambuco, Terra da Poesia
Organizadores: Antônio Campos e Cláudia Cordeiro
Editora Escrituras - Recife 2005

 

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos