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Odile Cantinho
(1915 Recife/Pernambuco)

 

 


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BEM-AMADA

Luminosa,
deixa um brilho de Natal
nas coisas que toca.
Em bolas de aljôfar
todo o verde transforma

Esfuziante e nua
desce sensual
úmida e coleante.
Mulher,
em horizontal se põe
entrega-se espraia-se
desliza
deixa-se sugar
absorvida
liquefeita deglutida
perfeita e desejada
bela e gloriosa
bem-amada: CHUVA.

 

AXIOMA

Sou a semente que se biparte e se estufa
e cresce , púbere, para o devir.
Sou a água que alimenta o grão
e se transforma no veículo do dar-se.
Sou o sol que luta para chegar
e sopra o morno calor do aconchego.
Sou o sinal de todos os tempos
Sou o sonho,
Sou o reflexo, o grito, a fúria, o abandono.
Sou o redemoinho que tudo recomeça
e luta e sabe que é nada.

 

OBSESSÃO

O mar é verde
a folhagem é verde
teus olhos são verdes

O meu amor vive de
esperanças

As estrelas cintilam
as flores se abrem
tuas mãos estremecem
O meu amor vive de
desejos

 

 

Fonte:
Corpo Lunar
Antologia Poética - 2002
Organizadora: Edileusa da Rocha

 

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos