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Neide de Camargo Dorneles
(1963 Rio Grande Sul)

 

 


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VOCÊ

Descobre caminhos
a lugares inesperados,
que nunca visitei em mim.

E curiosa de saber
meus próprios segredos escondidos,
beijo a sua boca...

É quando a sua língua vai entrando,
arrombando as minhas portas,
alma adentro.

 

ESPELHO

há tempos quebrado,
cansou de chorar pedaços...

E de remendo em remendo,
esforço supremo,
conseguiu mostrar,
entre cacos,
as tuas mil faces,
desta vez refletidas.

 

NO TELEFONE

tua voz
penetra no meu ouvido
e percorre, atrevida,
meu corpo todo
que de imediato se acende,
em chamas
de desejo alerta...

E assim aberta,
sorvo,
absorvo,
palavras
cheias de mãos,
bocas,
delírios...

E nesse instante,
puro deleite,
deixo que me desnudes
com calma,
e bem devagar
me inundes
corpo e alma.

 

PHOTOGRAPHIA

Buscar o passado
num resgate desesperado
como se fosse
laço único e tênue
que prendesse à vida...

E trazer para o presente
retratos amarelados
da felicidade,
que, ausente,
envia recados antigos.


 

 

Fonte:
Poemas enviados pela autora

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos