| ANGÚSTIA
Tanta dor, tanta melancolia, tantas horas
Cinzentas e cheias de agonia
Refletem a angústia que retalha a alma
Desta vida em silêncio decadente e fria
Não bastaram partidas repetidas
Nem lágrimas transbordando a taça
Noites indormidas em camas divididas
Abraços soltos, frágeis, e sem graça
Nada valeu à árvore que morria
No tédio gelado dos galhos retorcidos
Raízes fincadas em solos esquecidos
Imagem desbotada de beleza fugidia
E assim passaram anos, tempos, uma vida
Preparou-se com esmero de uma noiva prometida
Sequiosa de beijos, mas, cheia de recato
Morrendo de agonia por nunca ter pecado
SUSSURRA O VENTO NA CALADA NOITE
Eu vi teu vulto na leveza do sutil
Numa sombra antiga da lembrança. Eu vi.
O vento sussurrava na calada noite
Minha'alma plasmava a marca do açoite
Eram tantas presenças de forças reticentes
De sinuosas linhas e matemáticas várias
Projeções de anjos, de luzes pertinentes
Numa dança circense envolvendo parias
No picadeiro escuro, o teu vulto eu vi
Sossobrava inteiro de emoções remotas
Osmose estranha de dores, eu senti
Transformar meu corpo em células semi-mortas
Exausta, fria, exangue, compuscada
Não mais podia enxergar, mas vi
Tua sombra indecisa retomar a caminhada
Sem rumo, sem retas em busca de um porvir |