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Nathalia da Mata
(1981 Recife/Pernambuco)

 

 


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O IMAGINADOR

Nada
A dor do mar

A idade
A superfície

Imaginador:
Nadador
Da profundidade à origem

Das coisas à partida.

 

ABSINTO

O que desconheço de mim
Sou eu
Flores que não murcham
Nuvens que não passam
Sombra que me arquiva
Quando se vai teu sorriso em meu sonho
Vale tão menos a minha alma
Sopra-me menos um certo destino
Poético
Aos tropeços
Quando me cai a ilusão do mundo
Peço para a chuva calar-se
Nada dói mais
Que meu peito de espelhos
Que meu amor de espinhos
Sou eu
Que não conheço teus lábios
Que não pertenço a teu caminho
Sou eu
Um laço de mim
Um sempre em mim
Que não te deixa
E que sofre!

 

ENTRE MIM E A POESIA

Preciso de toda liberdade
Não a mim
Negue
Meu canto de lágrimas
Esgotadas
Sem texto
Como caminhos seguros
Esgotos
Sem o peso dos olhos
Envergo a conjuntura dos meus sonhos
Estilhaços!
Agora o que falta?
Não a mim
Entendo
Escrevo ao homem que pesa
Livra-te de toda poesia
Liberdade!
Liberdade!
Não a mim
Não falaram de futuro.

 

EM SI

:
dentro do sonho
o sonho.
sob o sonho
o sonho.
Pretéritos de medo
afinados à luz
:
ofegante.

Aludindo a si
canoriava lamúrias.
Escutou
o relógio.

 

DO OUTRO LADO DO MAR

A lua que não era pra ser vista.

Nem escrita havia sido
A epígrafe de qualquer história
Que pudesse talvez ser,
Mas a lua já queria ser vista
E cantava como quem chama o amor
Avermelhava os olhos do que era céu
Ocultava o tempo do que era ser

Nem havia vogais
Balbuciando um início de choro
Que pudesse talvez ser,
Mas a lua queria ser
De quem respirava próximo a lábios
De quem beija
Mas não era pra ser vista

A lua era a epígrafe de outras histórias.

Então o que fazem os heróis
Quando é confusa a bondade?

Nem havia vento
Para contar um pequeno acaso
Nem havia como distrair
Seu sorriso com inocência para o meu
Do outro lado do mar
Esperávamos para sempre

Então o que fazem os heróis
Com o amor?

A lua já chegava no alto da noite
Era cedo ainda.
E por que cantar às cidades e deixá-las?
As pedras protegem a lua, a minha voz.
E os heróis
Escondem seus beijos.

 

SEM CORTINAS

Claro e distorcido
: como um sonho.
Vozes que interrompem
A paixão.
Para tanto ser estranho
E se render
Melhor ter as roupas dos desnudos
Melhor ter as asas em atrofia
Sujo e retorcido
Na janela
Forte, de repente
: como estar.
A realidade impressa
Sob o céu
Em tela, as teorias
: letras soltas
Para tanto ser estranho
Não se render
Mas ser intenso e se saber inconcluso
Ser vago e se perceber para sempre
Ser metade, mas não conhecer o fim.

 

PRESSA

A paixão, ausente das palavras,
Por tempos
Reavivou-se em negros fios
De repente
De vida, De vinho.
A paixão, ausente dos dias,
Transformou-se.
Noites inteiras vãs...
Sofrimentos inteiros
Subjetividades inconclusas
Como norte, atravessou-se a razão.
: a paixão
Parou os olhos
Sentidos outros quiseram sonhar!
Re-significaram-se as coisas,
os arredores.
A paixão, ausente a pouco,
Estar.

 

INTEIRO [OU PROVISÓRIO]

Quero a sordidez da poesia
a astúcia!
Quero o erotismo controverso
o contra-verso
quero o olhar desinibido
a polêmica
quero a distância
a novidade
quero a falta de ar
o trava-línguas
quero a sutileza
a majestade!
Quero o acontecimento da poesia
e a descoberta.

 

OS VIAJANTES

certamente parecia parado
o universo
enquanto os versos
arrumavam amor

certamente, sem rosas, parecia cinzento
o tempo
enquanto caminhávamos
entre os canteiros

os viajantes dessa vida
éramos
cativantes de lágrimas
pescadores de destinos

os cigarros no balcão
as chaves
estradas selvagens
aguardavam lá fora

certamente parecia crescido
o mato
dos terrenos, das casa
cárceres dos donos

certamente era impressão
as palavras
os poemas feitos
enquanto os dias soluçavam

os viajantes passaram
o tempo
dos versos entre aqueles canteiros
mas nada plantaram.

 

LIVRE-ARBÍTRIO

Violenta dose violeta
Violeta sorte:
Borboleta
Comprometa
Vida com certeza
A beleza viva da certeza
A certeza certa do destino
A violeta cor do abismo
Violenta dor
Desatino
Quando a sorte:
Destino
Violeta borboleta
Morre ao vinho
Dose certa
Para amargar os espinhos
Morte bela violeta
Sem carinho
Violenta certeza:
Livre-arbítrio.

 

 

Fonte:
Poemas enviados pela autora

 

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