METÁFORA
O poeta excita o orgasmo da manhã e
transa com a terra e o manguezal.
O poeta traça sua sina e
provoca alterações no curso provinciano das águas.
O poeta é que põe
o sonho em transe.
DE REPENTE O MEDO
Despertamos sob os olhares
aflitos de medo:
um no mundo, outro na rua,
outro no beco
com as horas
marcadas de pavor desde cedo.
Caminhamos e a vida é fria
de madrugadas vazias
e de bêbados lambendo o chão.
Nos cobrimos de medo
da noite que jugula o dia
e apavorada (mente)
arma a armadilha da traição.
A noite, a chuva, o frio
e de repente o medo;
o medo de ser, o medo de fugir, o medo de ficar
e o medo do medo.
E ninguém se condene
de morrer de medo antecipado.
PREMONIÇÃO
A cidade aflita deixa de existir:
O caos, o medo, o grito
dentro de mim.
Atravesso
como a um lago
a vazão de existir.
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