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Montez Magno
(1934 Timbaúba/Pernambuco)

 

 


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COMO DISSE LÁZARO

Pastavam ovelhas azuis só vistas no Tibete,
e poderia a imaginação conceber tais criaturas
como se fossem quadros de algum pintor naïf.
foi o que ela, a aldeã, me disse
cheia de surpresa ante o meu espanto
por coisas do mundo que jamais concebera.
mas o que pode ser real se o mundo
é pura criação de alguma mente sonâmbula?
vejo pois essas coisas com se sonhasse
e, depois, ao despertar indago:
se o que sonho se tornasse o mesmo
que vejo percorrendo a luz clara do dia
e o seu oposto se tornasse igual,
qual a diferença entre estar desperto
e ainda o não saber que nada mais existe?
Pois Lazáro não disse que não há diferença,
que tudo parece uma paisagem branca
cuja homogênea luz aplaina o campo
no qual desliza o corpo sem sentido?

 

SENHOR DO TEMPO ESPERAI

Senhor do tempo, esperai que me desfaça
do sonho de viver só depois que o século
encerrar seu trajeto milenar.

Não que a mim este momento satisfaça
pois incerto e sombrio ele é, já que vivemos
atrelados ainda e tanto a um passado
que já não é mais nosso, e assim não vibra.

Dá-me um bom motivo para crer
que tudo mudará e que o amanhã
será forrado de azul profundo,
um imenso lençol de luz e lã.

Então não será demais que me desfaça
no pó que vier juntar-se ao tempo
montado num cavalo de fumaça.

 

 

Fonte:
46 Poetas, Sempre
Edições Bagaço
2002
Organizador: Almir Castro Barros

 

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