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MECA MORENO

 

PELEJA DO RECIFE
DO MAR, DO PORTO E DO POVO

Nossa Senhora do Carmo
Minha santa padroeira!
Proteção e inspiração
Do povo desta ribeira
Do meu Recife querido
A veneza brasileira

Recife é minha bandeira
Hoje é um grande dia
Nós vamos comemorar
Com muita paz e alegria
Minha cidade querida
Capital da poesia

Foi no Porto dos Navios
Que o Recife nasceu
E assim se estabeleceu
Com gestos muito bravios
Enfrentando desafios
Que ao lembrar me comovo
Faria tudo de novo
Porque nós temos cacife
A peleja é do Recife
Do mar, do porto e do povo

Na história me locomovo
Com grande felicidade
Respiro o ar da saudade
Das pescarias de covo
Do tempo não me demovo
Vi Maurício de Nassau
Quando chegou numa nau
Para o Recife animar
E fazer um boi voar
Depois fazer um sarau

Desde sempre Pernambuco é valente
Com seus poros amansa o mar tão forte
Ergue a fronte o grande Leão do Norte
Não temendo a nenhum inconseqüente
Seu povo valoroso sempre à frente
De outros tantos tem sido o parapeito
Seu destino por Deus já foi eleito
Nunca foge nem sente calafrio
O Recife domina o mar bravio
E haverá de explodir além do peito

A história é testemunha ocular
Da bravura de um povo altaneiro
Que entre todos será sempre o primeiro
Se preciso, está pronto pra lutar
Mas se a meta da paz é festejar
Singular, vai fazendo do seu jeito
Conquistando o amor e o respeito
Pernambuco eu a ti reverencio
O Recife domina o mar bravio
E haverá de explodir além do peito

Foi feita a união de tudo que é belo
Então Deus colocou junto do oceano
Esta é a obra do mais soberano
É de Pernambuco o mais feliz libelo
Recife das pontes, voraz e singelo
O sublime lugar pra gente se amar
Pra fincar raízes e sempre voltar
Aqui Frei Caneca, herói vi nascer
E tantos tombaram para eu viver
Num grande galope na beira do mar

Vivendo amando os dias passaram
Na essência do éter, o amor eterno
Verão, primavera, outono e inverno
À luz do infinito dois corpos brilharam
E ao se fundirem se eternizaram
Aos nossos galopes eu quero brindar
Alcovas do mundo num lindo bailar
Gritos ecoaram para a eternidade
Fusão de arrecifes em feliz cidade
Amores perfeitos na beira do mar

 

 

 

 

Pesquisador, poeta, compositor. Nasceu na cidade de Palmares, Pernambuco, no dia 03 de março do ano de 1959; escreve desde os 12 anos de idade; mora no Recife desde 1977; além de vários poemas e artigos publicados em revistas e jornais diversos, está presente na antologia Poetas dos Palmares, pela Casa da Cultura Hermilo Borba Filho, com coordenação do poeta Juarez Correya; é um dos autores do livro Petrus Apostolus Princeps Apostolorum – Um Mote Santo e Algumas Sacras Glosas, com o mote BENTO FOI ELEITO PAPA/SEM DAR PAPA PRA NINGUÉM. Tem mais dois livros publicados: UNIVERSOS e GIRAMUNDO – O Espectador do Fim & Gêneros da Poesia Popular, o primeiro em co-autoria com o poeta Alfredo Moraes, numa edição independente. O segundo foi lançado pelas Edições Bagaço e tornou-se um dos sucessos da V Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, em outubro de 2005.

É estudante de Direito. Membro da à União dos Cordelistas de Pernambuco – UNICORDEL e coordenador do Movimento Cultural Companhia do Cordel.

Pai de Dulce, Lucas e Caio. Avô de Débora.

 

música: Improviso (Quinteto Armorial)

foto: Sennor Ramos

   
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INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos