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Maximiano Campos
(1941 Recife/Pernambuco - 1998 Recife/Pernambuco)

 

 


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A Faca e o Tempo

A faca na mesa
corta cada coisa
ao seu momento,
assim como
a do menino
não tendo mais
o que cortar:
corta o tempo,
separa os dias.
E quanto mais corta
mais a faca se afia.

 

A Mesa Posta

Cajus, pitangas,
caldo de cana,
mel, cajás e mangas.

A toalha de linho, alva,
branca, de frutos colorida.
O mamão partido, a melancia
aberta.

E todos na mesa, ao meio dia,
sempre na hora certa.

 

Oferta

Nada tendo para te oferecer,
te oferta:
as rédeas da minha imaginação,
os meus versos,
e a sua precária imperfeição.

O que possa haver no meu canto
de puro e limpo,
claro dia, sol a pino,
frutos e flores,
cheiro de chuva subindo da terra
seca,
tudo te oferta,
nesse verso, pobre bandeja.

Escravo do sonho,
pintor do nada,
equilibrista em terra firme,
almirante sem navio,
triste até quando sorrio,
te ofereço como teto e casa:
o meu ideal e este sol bravio.

 

De Tanto Lembrar

Era uma velha cicatriz,
tristeza pendurada em
cabide de muito durar,
antigos sonhos distantes,
hoje, gastos de tanto lembrar.

Era um rio e barcaças,
era canaviais e ondular,
era o cheiro de mel e
o cheiro da terra, eram
flores e eram frutos, era a
larga mesa e sua alva
toalha, eram os que
sentavam nela a conversar.

Era uma música distante,
um piano antigo e
uma velhinha a tricotar.

Era uma vasta sala e um
imenso mundo, hoje gastos,
de tanto lembrar.

 

 

Fonte:
Revista POÉTICA XXI
Editor: S. R. Tuppan

 

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