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Marinês Mendes
(São Paulo/São Paulo)

 

 


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Dentro da saliva
Tímida, cálida, vívida
A palavra seiva

 

 

Luas de linguagem
Marimbondo que dá mel
Cravo que se sangra
(este para Júlio Miranda)

 

 

Flores de jasmim
Não nascerão nunca mais
Com elas morri

 

 

Folhas secas pesam
Sobre o jasmineiro, pena!
Borboleta voa

 

 

Eu trouxe a açucena
Ela não floriu ainda
Mas é bom salvá-la

 

 

Toras de árvore
adormecidas na relva
beirando a cidade

 

 

Tambores, o povo
atrás dos batuques vai
Samba Lelê cura

 

 

Músculos-raízes
vêm aparar o jardim
no sol do meio-dia

 

 

Uma flor caiu no chão:
Uma alamanda amarela
Enfeito os cabelos

 

 

A aranha sozinha
enfrentando a forte chuva
tece, tece, tece

 

 

Fonte:
Poemas enviados pela autora

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