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Marina Fonseca de Andrade
(1985 Recife/Pernambuco)

 

 


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PAI-NOSSO

Pai nosso que estás no céu
E em todos os cantos da terra
Em que ainda há luta

Santificado seja o Vosso nome
E sempre será
Pela Tua história que fizeste acesa
Abençoados sejam os nomes
Dos que continuaram Tua utopia

Venha a nós o Vosso reino
Que se fez nosso pelo Teu amor
Onde a luta se fez paz
E ilumina o mundo com a Tua força

Seja feita a Vossa vontade
E o Teu sonho de em cada filho
Ver se a semente de um mundo novo

Assim na terra como no céu
Assim no morro como nos castelos
Assim na Etiópia como nos EUA

Não nos deixeis cair em tentação
De ceder ao medo, de fugir da luta
Mas livrai-nos do mal
E nos alimenta com o sangue de cada herói
Crucificado
Com as cinzas da coragem que não morre
De cada grito que tentaram calar
Mas que persiste pelo Teu amor

                                        Amém

 

FIM EM VERSOS

Samba exausto
Dor exata
Vida vã

O sonho aporta
A noite fere
O riso aborta

O sangue é pouco
Pra que tanta veia?
O pé é fraco
Pra que tanta estrada?

O calo dói
A dor caduca
O tempo rói
A morte escuta
A vida vai

Na contramão
Esse vazio torto
O samba grita
A mãe aflita
A busca em vão

O que nos resta?
Despedaçar o peito
Pra caber medalhas

Engolir o pranto
Pra entupir a veia
Esconder o espelho
Pra virar vampiro

E tragar no sangue
De uma dor alheia
O mesmo veneno
Que está no seu.

 

 

Fonte:
Retratos - A Poesia Feminina Contemporânea em Pernambuco
Organizadora: Elizabeth Siqueira
Recife 2005

 

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos