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Maria do
Carmo Pereira
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DESQUERER
R a r e a v a m a doçura R a r e a v a m seus ardores R a r e a v a m as risadas R a r e a v a m cada encontro
ESPASMOS a porta fechara-se a porta fechara-se a porta fechara-se a porta fechara-se
GUERREIRA
Nem o delírio O verso liberta,
METEOROS DO TEMPO Num desassossego de cometas milenares, Nos segredos de átomos divisíveis, Nas bocas desdentadas da luz, No urro de estrelas desintegradas, Nas faces desfiguradas da lua, Nas pegadas da poeira cósmica, Nos olhos do abismo sideral, Na cópula incestuosa dos eclipses, No reverso do tempo senil, No cardume de estrelas cadentes, Na neblina de meteoros errantes, Nos estilhaços incandescentes da alma, Numa partitura de sóis nascentes,
NASCE UM POEMA o cérebro trabalha a mão embaralha o poema entalha a angústia
PALAVRAS PODEM SER ARMAS num escaninho
danço
enquanto
canto
este acalanto
canto
enquanto
espanto
o desencanto
espanto
enquanto
santo
este meu pranto
SOBRAS NA ALMA respingos de sangue farfalham num sopro de raiva |
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INTERPOÉTICA
© 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos |
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